Dr Antonio Paulo Filomeno

Idosos: O que fazer com eles?

O melhor conhecimento e o controle das doenças aumentam a expectativa de vida no mundo, nos trazem alegrias mas também preocupação quanto à questão social da sobrevivência dos idosos

É sabido por todos que a população de idosos, (indivíduos com mais de 65 anos), está aumentando.

Conseqüência  direta de inúmeros fatores, como melhor conhecimento e controle das doenças infecciosas e circulatórias, desenvolvimento de métodos diagnósticos, tecnologia terapêutica, a expectativa de vida para 2020 é de 72 anos, ampliação significativa se compararmos com  início do século passado que era de 33,7 anos. O crescimento da população idosa no Brasil entre 1980 e 2000 apresentou um aumento global de 56%. Nosso país terá em curto prazo a sexta maior população de idosos do mundo e atualmente 32 milhões de pessoas têm mais de 60 anos, perfazendo mais de 15% do total da população. Esses dados, longe de nos encher de alegria, nos trazem imensa preocupação! Estamos absolutamente despreparados para este crescimento. A sociedade como um todo e o governo, principalmente. Por que? Sabe-se hoje que 15 milhões de pessoas morrem anualmente no mundo por doenças cardiovasculares, sendo que no Brasil este número é de 350 mil/ano. Dentre as doenças cardiovasculares, a doença coronariana é a mais incidente (40% dos óbitos) na população acima de 60 anos.

Com a carência crônicas de leitos hospitalares, aliada às dificuldades econômicas para aquisição de medicamentos e o alto custo dos

planos de saúde, a perspectiva para esta faixa da população é sombria, a menos que façamos uma grande revolução em favos dos idosos.

Os investimentos em cuidados com a saúde e pesquisa médica na 3a idade são ainda insignificantes, quando comparados com outros países como o Canadá, França e EUA. Investe-se hoje mais na infância, mas não podemos dos esquecer que, se na década de 80 os idosos ocupavam 1/3 dos leitos hospitalares, nesta década que se inicia pressupõe-se que a ocupação atinja 60% ou mais. Temos que discutir este assunto de forma vigorosa, mobilizar a sociedade em torno do idoso e cobrar de nossos políticos uma ação pronta e eficaz. A questão social do idoso, face à sua dimensão, exige uma política ampla e expressiva que suprima ou amenize a cruel realidade que espera aqueles que conseguem viver até idades mais avançadas. Após tantos esforços realizados para prolongar a vida humana, seria lamentável não se oferecer condições adequadas para vivê-la.

 

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