Dr Antonio Paulo Filomeno

 Instituto Trabalhando Pela Vida
 Vamos criá-lo?

 É sabido por todos que a situação da saúde no país está um caos. Os governos se sucedem e os projetos sociais executados são tímidos, com poucos resultados visíveis, servindo principalmente para fins eleitorais à época das eleições.

Creches econômicas, sucessivos planos financeiros malogrados, má administração pública, descaso com os mais necessitados e  incompetência são algumas das muitas razões para a situação de penúria que aí está.

 A carência de leitos hospitalares torna cada vez mais distante o sonho de atingirmos o índice recomendado pela Organização Mundial de Saúde, (OMS), de quatro leitos por mil habitantes.

É necessário que adotemos uma postura fundamentalmente preventiva e eduquemos a população nesse sentido, adotando o velho lema: “É melhor prevenir do que remediar.”

Apesar dos esforços realizados por pessoas e entidades que vêm trabalhando para mudar a situação, a realidade é que a população  carente, sem planos de saúde ou equivalente tem enormes dificuldades de acesso ao médico e mais ainda à realização de exames complementares e compra de medicamentos.

Essa grande parcela da sociedade, arrasta-se em filas de postos de saúde e ambulatórios hospitalares, e não raro, como temos assistido, morrerem nessas filas enquanto aguardam atendimento.

A política dos genéricos, foi uma boa solução, mais ainda é embrionária, não abrange todos os itens terapêuticos, e não sabemos até quando as multinacionais de indústria farmacêuticas permitirão sua existência.

Nossas campanhas de saúde e datas temáticas são bem planejadas e executadas, mas quais são os resultados práticos?

Nas ações anti-fumo, anti-hipertensão e anti-colesterol dizemos que o tabagismo faz mal, que a pressão alta mata ou invalida, e medimos o colesterol e glicose da população em áreas públicas, reorientando o estilo de vida. E depois? Só no próximo ano.

Já foi realizado algum estudo sério no Brasil de análise da eficácia dessas ações preventivas junto à população carente ou não? Desconheço qualquer estudo nesse sentido!

Precisamos dar um pouco mais de nós mesmos para melhorar a eficácia de atendimento e cuidados preventivos , sem vincular essas ações à ideologia política, religiosa ou promocional, simplesmente porque somos médicos e detemos um saber que salva vidas.

Não é justo que utilizamos esta arte apenas em nossas clínicas e em benefício dos mais privilegiados. Milhões de carentes e necessitados, que nada tem a ver com os desacertos dos governos, que muitas vezes ajudaram a eleger, estão a necessitar de um pouco de nossa atenção.

Em Agosto de 1999, desenvolvemos e implantamos um projeto aqui em Brasília denominado “Saúde nas Quadras”. A idéia era extremamente simples, e por isso funcionou. Palestras multidisciplinares sobre saúde e qualidade de vida proferidas nas quadras residenciais aos sábados, tendo as prefeituras , conselhos comunitários e até setores hospitalares como parceiros.

O modelo foi inspirado na (APAH), associação que desenvolve um grande programa envolvendo não só campanhas de verificação de pressão arterial, reorientação alimentar e atividades físicas, mas também atendimento a pacientes desassistidos. Hoje a APAH tem milhões de associados e centenas de parcerias, possuindo inclusive um boletim de divulgação.

Em nossas ações aqui em Brasília o público compareceu em número expressivo nas várias edições do projeto e para nossa satisfação, o apoio dos profissionais da saúde foi expressivo, com muitas adesões espontâneas.

Mas não estamos satisfeitos, pois até agora não atingimos a população mais necessitada. Precisamos fazer mais. Estender o trabalho teórico ao campo prático. Nossa idéia é a seguinte:

 

1.      Montar ambulatórios médicos para prestação de serviços voluntários à população necessitada em áreas onde a carência desses serviços é mais necessária.

2.      Convocar através das associações especializadas os profissionais interessados nesse projeto. Médicos, nutricionistas, enfermeiros, professores, farmacêuticos e outros.

3.      Seriam formadas equipes de saúde voluntárias sob uma coordenação central que orientaria o plano de atendimento,  revezamento das equipes e as normas de execução do trabalho.

4.      Com o projeto aprovado junto aos Conselhos Éticos das especialidades, buscaríamos junto aos órgãos governamentais, ONGs, empresas privadas e Universidades, o apoio necessário.

5.      As áreas utilizadas para os ambulatórios poderiam ser salas de aula de escolas públicas ou outras áreas sub-utilizadas, sem a necessidade de se construir locais específicos.

6.      A indústria farmacêutica e os próprios médicos particulares poderiam contribuir com medicamentos de amostra grátis, que são muitas vezes deixados sem distribuição e acabam vencidos. Esses medicamentos seriam recolhidos por equipes voluntárias, triados por farmacêuticos do grupo e organizados em pequenas farmácias ou almoxarifados.

7.      Os laboratórios poderiam colaborar com uma cota de exames básicos para cada ambulatório, (fezes-urina-sangue e outros), com incentivo governamental para abatimento no imposto de renda das empresas. Caso não fosse possível poderia ser paga uma parcela para ressarcir ao custo dos exames. Esta verba viria de doações e ações junto à comunidade.

8.      Reuniões semanais seriam realizadas junto aos conselhos e líderes comunitários para buscar e reforçar o apoio à ação.

9.      Palestras médicas seriam organizadas baseadas nos levantamentos e necessidades verificadas nas estatísticas dos próprios atendimentos.

10.  Finalmente, poderíamos fornecer dados importantes às autoridades sanitárias tendo como base os levantamentos próprios dos atendimentos, e que serviriam para nortear e apoiar as ações em saúde.

Este projeto não é utópico ou irreal. É perfeitamente viável. Os profissionais querem colaborar, as áreas existem, os meios estão disponíveis para se atingir o fim. Basta termos vontade , dedicação, uma boa dose de ideal, e juntarmos todos esses ingredientes.

Não é um belo desafio? Vamos divulgar a idéia e apoiá-la. Dê sugestões, faça contato pelo e-mail: apfilomeno@terra.com.br  

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