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Dr Antonio Paulo Filomeno Nossos
Filhos, Cerca
de 15 milhões de pessoas faleceram em todo o mundo em 2002 devido à doença
cardiovascular. Nos Estados Unidos cerca de 650 mil e no Brasil
aproximadamente 300 mil. É de longe a maior causa de morte entre todas as
doenças. Diversos
dos chamados Fatores de Risco concorrem diretamente para essas estatísticas
impressionantes, sendo o colesterol um dos principais. Há
tempos os cardiologistas vinham suspeitando de que as crianças e jovens
eram também portadores de dislipidemias (elevação anormal das gorduras
no sangue). A evidência casual foi estabelecida em autópsias de crianças
falecidas por motivos diversos onde se constatou a presença de número
significativo de estrias gordurosas nas artérias, que constituem a base
inicial para as temíveis placas de ateroma, responsáveis diretas pela
obstrução das artérias. A
partir desta constatação foram realizados estudos bem orientados de
medidas de lipídios em populações de crianças e jovens. Os resultados
foram surpreendentes. A geração “fast food” começava a pagar um
alto preço que certamente lhes seria cobrado no futuro. Um
estudo recente realizado pelo Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio de
Janeiro, com crianças e jovens entre 06 e 16 anos revelou um aspecto
preocupante. A pesquisa compreendeu 342 alunos de escolas públicas e
privadas. Os resultados foram chocantes: enquanto apenas 4% dos alunos dos
colégios públicos tinham taxas de colesterol elevadas, 23% dos alunos de
colégios particulares apresentavam o problema. Nas
escolas públicas os jovens recebem a merenda elaborada por
nutricionistas, onde os nutrientes distribuem-se de forma balanceada e a
atividade física é mais intensa. Nas unidades particulares é provável
que a inatividade propiciada pelos vídeos games e computadores aliada a
uma alimentação mais gordurosa, facilitada pelo maior poder aquisitivo,
seja a causa dessa estatística preocupante. Nos
Estados Unidos, país que caminha para a obesidade, um estudo promovido
pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) revelou que a
obesidade, além de avançar descontroladamente entre os adultos, atinge
perigosamente os jovens. Cerca de 14% das crianças e adolescentes
americanos estão acima do peso. Há vinte anos esse número não passava
de 7%. Em
um país com o crescimento das redes “fast food”, e apelos à
inatividade promovidos pelos computadores é o que mais se aproxima dessa
realidade. Estima-se que 33% da população esteja acima do peso e que
pelo menos 10% seja obesa. Dieta
não é a palavra certa! Reeducação alimentar é o objetivo a ser
atingido, associado à prática de exercícios aeróbicos regulares, e
medidas laboratoriais esporádicas de lipídios no sangue. Vamos
nos esforçar para que os nossos filhos não caiam nessa armadilha da gula
e ócio e sejam os infartados e diabéticos de amanhã. |