Dr Antonio Paulo Filomeno

Porque o coração que vemos nos Logos e Campanhas não
se parece com coração real?

Quando começamos a ir à escola, ainda pequenos, aprendemos a visualizar uma imagem do coração que só muito depois constatamos que nada tem a ver com a imagem do coração real, em forma aproximada de um punho cerrado. Contudo, nunca questionamos o porque daquela figura simétrica em forma de “n”, cujas pontas se tocam em ângulo agudo.

De onde veio essa representação? O que ela significa?

Há milhares de anos as civilizações convivem com essa representação, gravada em pedra, ferro, nas construções, e em escritos diversos.

Essa imagem de forte simbolismo, e que fala por si só, é usada há 3.000 anos, desde a Grécia Antiga, e representa a semente do “Silphium”, espécie de cenoura, já extinta.

Recentemente a Sociedade Brasileira de Cardiologia recebeu consulta de uma importante revista que desejava saber “porque o coração que todo o mundo desenha não se parece com o coração real”.

Foi difícil descobrir a resposta, desconhecida pela quase totalidade dos cardiologistas, entre os quais me incluo. A questão foi pesquisada e a resposta vai na íntegra:

Uma antiga moeda da região grega de Cirenaica, já mostrava o primeiro coração estilizado, igual ao desenho que se usa ainda hoje. Já então o símbolo representava o amor, porque o “Silphium” era a matéria-prima para o primeiro anticoncepcional do mundo.

A sementinha era tão importante, que o escritor Plínio registrou que o “Silphium” “é um dos mais preciosos presentes da natureza”. O problema é que a planta só nascia numa pequena área na costa da Cirenaica onde, diz a mitologia, Apolo fez a planta brotar em torno do ano 700 A .C., mas ela só nascia por conta própria, não podia ser plantada. E foi tão colhida e exportada para o Egito e a Líbia séculos antes de ter sido “inventada” por Apolo que acabou se extinguindo, tanto que os romanos diziam que a sementinha “valia seu peso em denares”. E hoje, embora a planta tenha desaparecido há 20 séculos, continua representando o coração e virou a “marca” que tem muito mais força do que o músculo real, que bate dentro do peito de cada um.

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