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Fiquei impressionado ao tentar fazer uma revisão na literatura científica, para esse artigo, onde pretendia mostrar a evidente e sabida importância do “stress” ou estresse, como assassino silencioso, que age por etapas causando inúmeros males à saúde. Procurei nos sumários de duas prestigiadas revistas cardiológicas brasileiras entre 2002 e 2006: nem um único trabalho sobre a importância do vilão. Fiquei estressado com tamanho descaso. Senti-me, como médico e cardiologista, na obrigação de esclarecer um pouco sobre o assunto. Para a maioria das pessoas, o “stress” é sinônimo de angustia, sofrimento, preocupação e aborrecimento. Na realidade é uma reação normal e necessária a qualquer ser vivo. Faz parte natural da resposta do organismo em situações súbitas ou ameaçadoras. Nos seres mais evoluídos, passa a ser prejudicial quando se mantém de forma inadequada e por períodos prolongados. O “stress” como reação fisiológica (normal) é até benéfico, deixando o indivíduo em estado de alerta e em condições de reagir devido à liberação de hormônios, (adrenalina e corticóides). Nos animais, à ação destes hormônios, o organismo responde com aceleração da respiração, contração da musculatura, dilatação pupilar, redirecionamento do fluxo sanguíneo e aceleração cardíaca, entre outras modificações. É a chamada reação de “luta ou fuga” que cessa quando termina ou se atenua o estimulo. Estar em “stress” ocasionalmente não é sinônimo de doença, pois precisamos reagir ao inesperado. Contudo, os problemas da vida moderna: financeiros, familiares, existenciais e violência urbana, podem propiciar, quando não controlados, o surgimento do “stress-assassino”, gerando efeitos desastrosos. Excesso de atividades, acumulo de raiva e sentimentos negativos, problemas de relacionamento, descontrole diante de certas situações, preocupações excessivas, falta de descanso, competitividade e dificuldade de lidar com as perdas... aí estão as principais causas. À título de exemplo, recentemente por excesso de atividades comecei a sentir dores de cabeça, posteriormente insônia e gastrite, até uma leve hipertensão apareceu. Acessei a internet e localizei um site de nome “paraíso na terra”. O local, bem próximo daqui, fez justiça ao nome. Após três dias de repouso, boas palestras e alimentação adequada, estava novo. Temos que reconhecer o inimigo logo, para que a cura sem seqüelas seja rápida. - Aqui vão as dicas: 1) Reconhecimento do inimigo: a) Fase de alerta – Reação a uma ação externa Ocorrem reações fisiológicas (normais, leves e reverssíveis, na maioria das vezes, imperceptíveis. b) Fase de resistência – Oposição do organismo contra a fase de alerta. Se o estímulo é controlado, o stress passa despercebido, Senão o corpo começa a responder, surgem alguns sintomas, como: insônia, irritabilidade, palpitações, suores. c) Fase de Exaustão – Persiste o estímulo. Surgem as doenças: problemas emocionais, gastrites, diabetes, ulceras, hipertensão, arritmias, e doenças coronarianas aguda. 2) Contramedidas: Mudança de atitudes - Atitude positiva frente à vida, mesmo em grandes problemas. - Consciência de seus limites. - Conhecimento de suas fraquezas e potencialidades. - Ser tolerante e flexível. - Saber dizer “sim” e “não” nas situações certas. - Planejar o tempo. - Vida saudável: Exercícios físicos regulares, fazer uma alimentação adequada, 6 a 8 horas de sono, abandonar o fumo, adequar o álcool e reduzir o café. Então, vamos começar? |