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SUPORTE
BÁSICO DE VIDA... Hoje sabemos que as doenças cardiovasculares são as principais causas da mortalidade tanto nos países industrializados, como naqueles em desenvolvimento, e que muitas vezes acontecem subitamente. Estudos recentes sobre esses eventos revelam que 2/3 desses óbitos ocorrem fora dos hospitais, e em geral, nas duas primeiras horas de instalação da doença ou início dos sintomas, e, na maioria das vezes antes do atendimento médico. Existem relatos de recuperação e alta hospitalar de até 40% dos ressuscitados se as manobras de socorro básico tiverem início até três minutos após a parada cardiorespiratória. Se os casos forem atendidos em unidades coronarianas especializadas onde o evento ocorreu, o índice de sucesso poderá ser bem maior. De fato, em recente tese de doutorado defendida pelo Dr. Ari Tiemermam, da Faculdade de Medicina da USP, e publicada nos arquivos brasileiros de cardiologia, há uma excelente revisão de uma série de 577 pacientes que sofreram parada cardiorespiratória nos últimos cinco anos no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, pelas mais diferentes causas. A ressuscitação foi tentada em 536 casos. Os resultados são impressionantes: apesar de 53% dos pacientes terem falecidos, quando os procedimentos especializados foram iniciados a tempo, 47% dos casos foram ressuscitados. Nos Estados Unidos, há mais de 20 anos existe o chamado ACLS, que poderíamos traduzir como “Suporte Avançado de Vida em Cardiologia”. Esse treinamento é dado a médicos, enfermeiras, paramédicos e outros profissionais de saúde no atendimento às principais emergências cardiológicas, incluindo diversas modalidades de parada cardiorespiratória, arritmias potencialmente letais, tratamento inicial do infarto agudo do miocárdio e do edema pulmonar, sendo que, nos cursos práticos são utilizados manequins e simuladores de arritmias que reproduzem situações encontradas na vida real. Nos EUA, esses cursos são coordenados pelo “American Heart Association” e têm ampla divulgação, sendo administrados por faculdades médicas de enfermagem, paramédicos e diversos centros de estudos. Embora não seja obrigado por lei, todo o serviço de emergência, seja paramédicos, intra ou extra-hospitalar, conta com pessoal treinado em ACLS. No Brasil, o Comitê Nacional de Reanimação (CNR) vem há vários anos realizando esforços no sentido de melhorar o atendimento de emergências através da realização de cursos, principalmente de parada cardiorespiratória. Em nossa opinião alguns desses cursos não deveriam ser limitados aos recintos hospitalares e meio acadêmicos, mas também abertos ao público, obviamente adaptados à compreensão da população leiga sem, contudo perder a eficácia necessária ao objetivo e a que se destinam: salvar vidas. Na realidade isso já vem acontecendo não só no Brasil, como no exterior... mas é preciso mais apoio e divulgação dos órgãos governamentais e da mídia. Nenhum de nós está a salvo de ser solicitado a dar assistência a uma emergência cardiológica, e aí pode estar a diferença entre a vida e a morte. Nós mesmos podemos ser tanto o auxiliar como a vítima, daí o grande interesse em que um maior número possível de pessoas tenha acesso aos elementos básicos das manobras de ressuscitação cardiorespiratória. Esses princípios não deveriam ser restritos ao pessoal paramédico, bombeiros, policiais e comissários de bordo, mas adentrar nas escolas, universidades, empresas. É necessário que a televisão pelo seu poder de informar tenha também o alcance em formar, abrindo espaços curtos para orientação especializada ao atendimento de emergências diversas. A comunidade precisa se mobilizar, solicitar tais providências às associações e sociedades médicas. Precisamos parar de esperar pela história... precisamos aprender a fazer história. Em tempo: “Em 10 de novembro último foi formada uma comissão de alto nível criada pelo Ministério da Saúde e com representantes de diversas instituições – Sociedade Brasileira de Cardiologia, hospitais de referência em urgências, Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira, entre outras. A comissão deverá divulgar num prazo de 90 dias regras nacionais que vão verificar a urgência e emergência em locais de risco como estádios, aeroportos e shoppings, serão elaborados manuais dirigidos à população e sugestão de portarias a serem lançadas pelo Ministério da Saúde, exigindo inclusive uso de desfibriladores automáticos em locais públicos. Excelente iniciativa. |