
Poemas
Gabriel Ribeiro
Prendam-me,
Poeta
15/01/01
Prendam-me,
poeta
e mentiroso,
deturpador de palavras
corsário de doces esperanças
plagiador infame de puras intenções
ilusionista que, com grafia esquiva, lavra
roubos semânticos de ingênuas esperanças,
competente e corrupto falsário de emoções.
Sentenciem-me,
poeta
e inescrupuloso
a ficar a vida toda calado
a viver o resto desta sem papel,
nenhum minuto sequer com memória
todas as horas sem nada em tinta registrado
sem leitura, repentes, sonetos, trovas ou cordel
toda a sua história deixada em branco sem história.
Executem-me,
poeta
e impiedoso
à forca pelos fios da métrica
ao torniquete pelo quanto de vil
às balas pela pólvora das decepções
ao gás emanado da rima pútrida e tétrica
aos volts da cínica e cúmplice estrofe covil
ou ao veneno decantado na hipocrisia dos refrãos.