
Poemas
Henrique Martins de Freitas
Anjo
Por
acaso escutas a voz
murmurante,
delirante melodia
a nos sugerir
uma aproximação?
Não
sabes que na vida de todo homem
Há de enfeitar um riso...de mulher?
Jamais
quero ver-te rígida
como um soldado
que teus graciosos olhos
jamais vertam
lágrimas!
Oh,
meu Deus! Acolhe em teu seio
essa formosa criança.
Mortifica-me pela salvação
Dela.
Anjo,
tu exalas o nobre amor,
o amor delicadeza, o amor sinceridade.
Tu és casta como a rosa,
a juntar afeto com amizade!
Já
nem durmo,
desejando-a num trepidar desvairado.
Passei a amar teus suspiros
sussurrados por esses lábios
de néctar!
Ah, mimosa
amo-te inteira.
Nas essências que tua robustez jorra,
afogar-me-ia de prazer...
Beija-la: seria uma audácia;
goza-la: perecer em frêmitos apaixonados...
Ah,
esse teu olhar...
que brilho acastanhado e
que profundidade,
deixa-me ofegante, só de mira-la...
É esse foco angelical
límpido qual um lago
que me afogou
num querer-te
eterno.