Poemas
Henrique Martins de Freitas

Não mais do que de repente

De repente eu aprendo
que a vida flutua ao meu redor.
O que seria do dia sem noite?
Não mais do que uma tarde entediada.
O riso da menina-debut
esconde a malícia da fêmea.
O aroma de terra que me chega,
lembra-me que serei pó, não mais.
E o sol? Essa estrela fascinante,
alumiando o caminho aos honrados,
fechando o atalho aos perversos?

Ah, loucura, vida de conjecturas,
passo a amar
tua sombra, tua ausência!
Passo a banhar-me
na maledicência, indolência,
no mar da indecência...

Olho as pessoas que se vão
com suas camisas floridas,
seus shorts fogosos,
estação primavera -ressurreição-
E o amor, a poesia,
que pairam acima disso tudo?
Onde estão, porque não brilham,
dando forma às emoções minhas?

De repente, sinto medo.
-Viver já é um sacrifício-
Choro, balbucio teu nome,
estendo a mão para ti
e agarro uma doce recordação,
do teu sorrir, caminhar, provocar...
Fôra amor, agora sinto.
Perdão, por macular tua inocência.
Aqui me tens:
Combalido, sofrido,
condenado
a essa dilacerante
indiferença...

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