Enterrada Viva
Pedro Cardoso Machado

O seu corpo dourado e esguio,
Agora repousa na mais profunda solidão.
Calada, imóvel, você fica em definitivo.
Mas o seu sorriso e a sua beleza explodem em meus olhos.
Vejo você contorcida, entrelaçada às ferragens do seu carro,
Que ainda a pouco voava livremente.
Mas o destino cruel e insano, a fez parar de repente.
Esta é mais uma realidade na vida dos mortais.
Mas os seus feitos, os seus gestos, o seu querer maior,
Percorrerão o mundo sem se importar com o seu corpo.
Ao olhar mudo da multidão,
O toque, suave e delicado, dos cascos dos cavalos da Rainha,
Tocavam o solo sem qualquer preocupação,
Marcavam suas despedidas das lentes vis
Dos que mais precisavam de sua beleza.
Talvez não tenhamos entendido bem sua passagem por aqui.
Seus sinais vitais de grandeza eram vistos por todos os lugares.
Nas igrejas, nas favelas, nos castelos e nos nossos sonhos.
Mas o silêncio mórbido, marcado pela marcha batida dos cavalos,
Quebrava o silêncio dos nossos corações a cada instante
E a cada instante, você nos deixava para trás.
Era uma separação definitiva, cruel e eterna.
Flores eram jogadas pelas pessoas, que sem entender direito,
Lhes dava um adeus sincero, um até mais breve.
E você, imóvel seguia em nossas mentes tristes e solitárias.
Seguia sua última viagem.
Com certeza, a mais longa e triste da nossa história.

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