HOMENAGEM DE
NATAL
Outras
Homenagens
Essa cruz que eu carrego nos
ombros largos,
É
apenas um pedaço da cruz de Cristo.
Todos os homens carregam nos
ombros
Um pedaço mínimo
da cruz de Cristo
Um pedaço mínimo da Cruz de Cristo, e eu me ponho em desespero, num total abandono de mim mesma. Todos irão carregar algo, com o fim de participar do maior sacrifício que se tem notícia. Gesto de amor, renúncia total. Nosso salvador derramou a última gota de sangue por nós e o fez de maneira especial por cada um. Não é algo impessoal, mas preocupação individual, amor completo e marcante, que grava nossa alma de forma indelével.
Eu
não poderei chegar à grande Morada,
Com
meus ombros leves e sem castigo,
Como
se fossem duas penas de pássaros
Mortos
num despertar de primavera.
Meu coração pede uma eterna alegria, prazeres que não são inerentes às necessidades da alma. Às vezes eles passam, sem nem mesmo nos trazer felicidade momentânea. Ombros leves que não poderão sustentar um irmão em carência. Corpo sem sustentação que almejamos por total limitação. Não sabemos pedir, pedimos mal. E foram tantos os momentos, em que agradeci a Deus, não ter me concedido aquilo que um dia Lhe implorei. Ombros leves, mal conseguem se manter erguidos.
Para poder chegar às portas
da Morada,
Tenho que ferir minha carne
nos espinhos,
E sentir pesar em cima dos
ombros
O pedaço que me cabe na cruz
de Cristo.
Diante de meu Criador... Um dia estarei, diante da grande face de Luz. Que terei eu a apresentar? Esconder-me? É difícil pensar neste momento, mas urge que o façamos. Momento primordial de toda nossa vida, quando sabemos, que tudo o que tivermos feito de bom, será pouco diante da grande misericórdia divina. Saber-me participante do projeto de Deus, conhecer seus caminhos, tomar posse de seu Amor.
Para poder olhar
de frente a face de Deus
É preciso que eu
sofra muitas vezes ainda,
Que eu colha males
pelo bem que fiz,
E sem revolta
possa chorar muito mais...
Vem o pranto sentido, conseqüência da dor que castiga a carne, tortura a alma. Mas nada disto é muito, quando se constitui caminho para o Pai de Amor. Colho os espinhos das rosas que Deus me oferta. Para tocá-las machuco as mãos. Estes espinhos doem em contato com a pele. Mas o perfume inebriante que me envolve no toque com estas flores... Perfume divino
Eu semeio lágrimas no chão
da vida,
E estas lágrimas que semeio
todos os dias,
Me ofertarão ventura algum
dia,
Porque são pedaços da cruz
de Cristo.
Que lágrimas não secarão? O chão se torna fecundo, rico dos nutrientes que suga de minha dor. Cresce então a minha fé, cresce a vontade de me ver, face a face, com Cristo. Participo de Seu sacrifício, entro em comunhão com Ele. Chego a não saber quem sou eu, pois a vida de Cristo me coloca diante do amor infinito, da alegria do encontro, da certeza de sua presença.
Bendito
o pranto que põe meus olhos fundos,
Molhando
meus olhos de lágrimas!
Bendita
a saudade que às vezes consome
Tantas
horas, dentro de minha vida!
Meu
irmão foi bom caminhar com você, por este poema, sentir a importância de
nossas experiências. Posso perceber o salgado das lágrimas, o amargo da
saudade. É estranho, você se foi numa manhã de fevereiro... Acho que não
pude lhe dizer do que via em sua alma. Talvez não pudesse nem mesmo ver o que
estava tão claro. Mas hoje você está aí, diante de Deus, num merecido
encontro, desfrutando da misericórdia do Criador. E depois que você partiu,
pude caminhar por entre sentimentos, sua fé sempre tão viva tudo possibilitado
pela sua arte de escrever emoção. E isto me permitiu chegar até você, e por
seu intermédio, até Deus.
Gostaria
de fazer mais, por mim, pelo mundo, por todos. Mas esbarro em minhas limitações
e nas dos outros também. E fico inerte, vendo o tempo passar, derramando lágrimas,
desejando modificar, retroceder, transformar minha história, ser mais próxima
do projeto de Deus. Mas acho que tudo isto, você conseguiu.
Meu
coração é todo, saudades. Saudades daquilo que não vivi, saudades do que
poderia viver e ainda assim, com total consciência, não consigo viver.
Saudades, meu irmão, de você, muitas saudades.
Com
Amor
Sua
irmã Cristina
Maria
Cristina Moreira Safadi