Para você também, e em especial, Vânia.

João

 

No Dia Internacional da Mulher, dedico este Poema a todas as mulheres, particularmente a  todas as minhas amigas e leitoras.

Uma homenagem especial ao "sentido feminino da ternura".

 

SENTIR COM TERNURA

Jan Muá

Começar por descobrir quando não há emoção

O olhar das formas silenciosas sem voz

 

Começar por descobrir a ocupação de espaços

Submissos sem protestos

E as luzes baças sem brilho na origem

 

Descobrir o silêncio da paz

Junto com a tranqüilidade concedida ao acaso

 

Sentir os diferentes mundos na solidão

E o “outro”

Só alteridade

Estampado no rosto das coisas

 

Adivinhar os lances sem diálogo e sem voz

Enternecer-se com o nascer de uma disposição

Que vai se tornando presença aos poucos

E olhar dentro dela os detalhes traduzidos em  imagens fraternas

 

Trazer o mundo ao convívio solidário

Traçando atalhos de diálogos

Nos territórios livres do ser

 

Criar movimentos e intersecções

Nos olhares vivos dos sorrisos

Que se abrem nos rostos

 

Não desprezar os movimentos absurdos  no trânsito

Gerido por neurônios dispersos em pistas abertas

Às múltiplas direções

 

Esperar a rolagem do tempo

Mantendo-se ligado entre emoções

E razões

 

Criar olhos poéticos para  que na permanente luz

Se possa olhar sempre em cada coisa

O novo que a cada instante nasce!

Jan Muá