Maria Isabel Rosete

Amo

Amo

Não sei bem o que amo

 

Tenho medo de amar

De voltar a sofrer

De voltar a sonhar…

 

As ilusões crescem

Quando se ama

 

Emerge

A dor

A insatisfação

A insanidade e a insensatez

A cólera…

A presença ausente de um outro estado

Sempre inacabado…

Sempre adiado…

 

Caminhos que não conduzem

A parte alguma

Espreitam-nos no amor

 

Nos caminhos

Que se bifurcam

Perdemo-nos

De nós

Do outro

 

Encontramos o desfiladeiro

Assoma o vazio

De uma alma deserta

Dispersa

Em con-fusão

 

Alienada pela adrenalina

Que sobe

Escorrega

Desampara

Inquieta…

 

O êxtase da alma

É insuportável

Em qualquer paixão

 

As mãos tremem

Transpiram…

 

O coração

Consome-se

No seu ritmo

Acelerado

Incontrolável…

Incontornável…

 

O estômago

Já não se contém

Com tanta ansiedade

 

Calafrios

Pela coluna

Sobem e descem

 

Tudo se move

Tudo se transforma

A um ritmo

Desenfreado

Imparável

Desmedido…

 

Assim é o amor

Força

Que move e comove

Despista

Corrói…

 

Cego e surdo

Táctil e visual

Transporta-nos

Para a realidade

Do possível,

Para o possível

Do impossível

Para o imaginável

Do inimaginável,

Para o sonho

Do in-sonhável…

 

Para as correntes tumultuosas

De um mar sem fim

 

Para o infinito

Do próprio finito…

 

Para a alucinação

Da sensatez…

 

Para a irrazoabilidade

Do razoável…

 

Para o ilimitado

De todos os limites,

Conscientes

Ou inconscientes…

 

Assim é o Amor,

Uma força tremenda

Gigantesca

Arrebatadora

Desmedida

Enorme…

 

Dentro de um tempo redondo

De um eterno retorno

Do mesmo e do outro

Com princípio e fim…

                                                                       Isabel Rosete

                                                                       26/05/20007

voltar