Maria Isabel Rosete

O Brilho De Apolo

O brilho de Apolo

Contra a lucidez dionisíaca…
 

Assim somos

Assim vivemos


Os dois lados expostos e inseparáveis,

Ocultos numa mesma existência
 

Com a harmonia das formas

Das cores e dos sons,

Com o esplendor do Belo

E a racionalidade dos instintos
 

A Lira de Apolo adormece

Os corações aflitos…
 

Emerge o sonho

As máscaras

Os véus

Que encobrem os rostos
 

A adivinhação

A divinidade da luz

A claridade do visível

A medida

A virtude
 

O mundo interior da imaginação

O princípio da individuação

As figuras de contornes precisos

Os limites da criação…
 

Diónisos

A exemplificação do imenso

Do enorme

Do excesso

Do hiperbólico
 

A grandiosidade

Do “crescendo”

De todo o acto de renovação,

O fluxo incessante da Vida
 

O sofrimento

O instintivo

O subterrâneo

O instintivo
 

A união umbilical

Com as entranhas da Terra,

A tragédia dos caminhos paralelos

E as contradições do humano
 

O êxtase da morte

E da ressurreição,

A infinitude libidinal

O férmito da embriaguez
 

O eterno retorno

Do cíclico imparável

Da vida e da morte,

O transe dos sentires…
 

Isabel Rosete

26/05/2007

15/01/2-08

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