Maria Isabel Rosete

Os Pratos Da Balança

Os pratos da balança

Já não se equilibram mais…

 

A medida certa acabou

A incerteza

A dúvida

São o paradeiro

De um caminhar

Em terreno

Fatalmente

Movediço…

 

Numa massa estanque

Informe e disforme

Se movem os nossos paços

Inquietos…

 

Sempre

Nos prendem as pernas

Sempre

Nos atrofiam os músculos…

 

Que ilusão

A dos Homens

Supostos senhores

Dominadores

Do espaço cósmico

Que tão debilmente habitam…

 

E o Mundo?

O Mundo está aí

Permanece imutável

Na sua essência

Apesar de todas as investidas

Destas Criaturas desnorteadas…

 

Acompanha

De perto ou de longe

O furor das multidões em revolta

Contra o previamente imposto

Contra o dogmaticamente determinado

Pelas Instituições

Pela Natureza

Por Deus

Ou pelo Destino…

 

Ai…

Esta Humanidade

Alimentada

Pela estéril ilusão

De Tudo manipular

De Tudo governar…

 

Ai…

Esta Humanidade

Pretensa tutora

De um Cosmos

Infinito

Imenso

Ou invisível

Aos cegos olhos

Do comum dos mortais…

 

Um Cosmos

Sempre aberto

Sempre camuflado

Velado e des-velado

No enredo labiríntico

Da sua própria Teia

Em constante mutabilidade camaliónica…

Isabel Rosete

19/01/01

23/01/08

                            

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