Crônicas

Ivone da Conceição Rodrigues Carvalho

Poetando em prosa

Fico fascinada com quem tem a capacidade de escrever em prosa, como se uma poesia estivesse compondo.

Às vezes as palavras se harmonizam de tal forma, sem rimas, sem cuidados, sem métricas que, embora não tenham o formato de poesia, constituem-se num poema ímpar. Demonstram de tal maneira o que vai no coração, ainda que tentando esconder sentimentos, que não é possível, pura e simplesmente, ler o texto uma única vez, mas, sim, relê-lo algumas vezes, contemplá-lo, buscar as rimas escondidas, tentar visualizar o semblante do autor, da pessoa maravilhosa capaz de tamanha arte, enquanto o escrevia.

Isso tudo impressiona mais ainda, quando o responsável por tamanha demonstração de sensibilidade, não acredita que foi uma poesia em prosa, que ele acabou de escrever.

A poesia é exatamente isso!  É o extravasamento da alma, usando as palavras ditadas por ela!

É a explosão dos sentimentos, dos desejos, dos anseios, através de vocábulos simples, usados na conversa informal, com direção certa, com desejos definidos.

Esconder o  sentimento só é possível quando a gente se cala. Quando não se olha nos olhos. Quando não se pronuncia ou se escreve alguma palavra.  Qualquer ato contrário a estes, denuncia, sempre, o que vai no coração. Só não entenderá quem não quiser, porque nem se faz necessário qualquer esforço para que se leia a alma de alguém, quando ela escreve, fala, olha nos olhos.

E, não enxergar a poesia que tantas e tantas vezes é declamada através de uma simples mensagem, sem rimas, sem ordem, mas que transmite o poema que naquele momento ecoou com ternura, com afeto e do fundo da alma, é como fechar os olhos ou os ouvidos e não aceitar que poetas somos todos nós, em cada momento que vivemos uma poesia em nossa vida.

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