
Poemas
Jan Muá
Sono Depois da Vigília
Não gostaria que dormisses sem mim
Bom seria mantermos a vigília juntos
No diálogo das cores
No prado verde
Ou no céu azul
Sob o testemunho da luz
Não gostaria que dormisses sem mim
Pois não deglutiria a solidão
Que pousaria na quietude do teu silêncio
Melhor seria que programasses teu sono
Ao fim do dia
Com tempo e espaços próprios
Para acordares na aura hílare da manhã
Pela penumbra da janela de teu quarto
Eu sei quando teus olhos dizem adeus às coisas
E descem no embalo da inconsciência
Reprogramando a energia que dará vida
A novas horas
Eu gostaria que me ensinasses
O testemunho da vida
No longo leito da cor profunda
No diálogo da existência
Não escureceremos nossos olhos
A fim de que eles vejam as ondas
Das áreas afinadas
Mais profunda a vida
Merece nossas mãos
Sinal magnético de contatos
Eu gostaria que não dormisses sem mim
Pois sei que teu sono se afina com o meu
Depois da vigília atenta
Quando muito sol e muita vida
Muito amor e muita esperança
Fluem pelos nossos poros
E pelos nossos corpos
E nos transmitem inquieto horizonte
De palpitação
Eu gostaria que não dormisses sem mim
E me ensinasses a programar
Um sono colorido
Ao fim do dia
Quando nossos olhos dizem adeus às coisas claras.
©Jan
Muá
Brasília, 1987