
Poemas Dedicados
Ligação Interurbana
J. B. Xavier
27/12/2000 -
13:50
Meu
Cumpade, tu conhece
A minha vida de artista,
E de como é que padece
Este pobre repentista.
Versejando
pelo mundo,
Eu vou tentando me impor.
Mas sou só um vagabundo
Cantando coisas de amor.
Hoje,
porém, telefono,
Pois tô meio revoltado,
Como cachorro sem dono.
Vô contá o que tá errado!
Escolhi
tu, meu cumpade,
Prá servir de meu ouvinte
Porque tua boca é de frade.
O negócio é o seguinte:
Passeando
distraído
Na internet sacana,
Fui então surpreendido
Por um saite bem bacana!
É
um saite, meu amigo,
Onde todos são das letras.
Um dia vais lá comigo:
É a “Buzina das Tretas”.
Comecei
a pesquisar
Com a intenção mais pura,
E olha quem encontrei:
A Fernanda e o Tanajura!
Péra
um pouco! Não desanda
A falar de picuinha!
Tô falando da Fernanda!
Sim! Ela mesma! A Nandinha!
O
Tanajura? Te digo:
É um cara de arrasar,
Que já chegou, meu amigo,
Onde eu quero chegar!
Mas
tem mais, tem alegria!
Cá eu sou mero aprendiz
Quando visito a poesia
Da Mestra Vânia Diniz...
Fraco
eu não sô, nem sô lento!
E é tu mesmo que diz...
Mas aqui só tem talento,
E eu sou mesmo aprendiz...
Então,
meu cumpade, eu grito:
Tem gente boa de pilha!
Tá bom! Tá bom! Admito!
Aqui também tem vasilha!
E
são esses, meu cumpade,
A razão dessa cunversa...
E a tristeza me invade
Por haver gente perversa...
Quem
bolô o saite, esconde
A melhor das intenção.
Fazendo uma lista, onde
Se soma a pontuação.
Assim,
o que escreve melhor
Vai lá pro topo da lista,
E, claro, que os pior
Vão tentando ser artista.
Foi
grande idéia! Valeu!
Quem fez, fez bem direitinho,
Porém, é claro, esqueceu,
Que tem sempre um espertinho.
Tem
um cara aqui, ca gente,
Que é grande charlatão.
Embora no rol presente
Ele seja o campeão!
Há
mais de um ano que o moço
Está no topo da lista!
Oh, que carne de pescoço!
Pois nem é uma conquista!
Veja,
esse grande safado,
Pensando que é muito bão,
Já nem mais tem publicado
Nem uma linha, o vilão!
Tu
não diga que fui eu,
Pois posso estar enganado:
A última vez que escreveu
Foi lá por março, o safado.
Seu
nome? É complicado!
Também cheira a armação.
Pois veja que o danado
Chama-se Armacoamão!
Isso
é nome que se dê
Para um cristão vivente?
Me fala! Diga você!
Lá isso é nome de gente?
E
na tal lista falando,
Esse moço tá em cima,
Mesmo com todos tentando,
Dele ninguém se aproxima!
Porque
dele, a contagem,
É de vinte e poucos mil!
Isso é mais que a tiragem
Dos melhores do Brasil!
Ele
fica lá, parado,
Quieto, meses sem conta,
Então, se alguém ultrapassa,
É que o safado desponta.
Parece
que o moço tem
Mais leitores que cabelo,
E que a um chamado vêm
Todos correndo a lê-lo!
Claro
está que para mim,
Isso é coisa meio trágica!
Aqui não é Hamelin,
E sua flauta não é mágica!
Até
dei nome ao caso
E declarei efetiva
Essa leitura ao acaso:
É leitura seletiva!
Quero
dizer, sem rubor,
De maneira conclusiva:
Eles só lêem, se o autor
Em algum momento precisa.
Se
não for esse o critério,
Meu cumpade, pois então,
Considere um mistério
O colega Armacoamão!
Mas,
que tenho eu com tanto?
Tu pode até perguntar!
Por que não fico em meu canto
Quietinho a poetar?
Ora!
Tu me conhece!
Eu não sou de encher lingüiça!
E se algo me emputece,
É essa tal de injustiça!
Não
é pra mim que batalho.
Eu tô longe de chegar.
É que li tanto trabalho
Bonito de arrebentar!
Quem
se julga muito cobra,
Que dê uma de andarilho,
E vá lá curtir a obra
Do amigo Bessi Filho!
E
tem o Martins de Freitas.
E Ribeiro Braga, então?
Cujas obras tão bem feitas
Tocam-me o coração!
E
num dia como esse,
Eu faria uma besteira
Se Alcântara não me ocorresse,
Marilene e João Ferreira.
Pereira
Lopes, seus versos,
Bem como José Kappel,
Abriram-me mil universos,
E me conduziram ao céu.
Alves
Filho, cujos versos
Me servem de alavanca,
Pra penetrar no universo
De Capistrano e Malanca.
É
gente demais, pra dizer,
Então, nem todos abranjo,
Eu só não posso esquecer
De Nelson Haroldo C. Anjos.
E
nesse universo perene
De gente fazendo poesia,
Como não citar Milene
E toda a sua maestria?
É
isso que desanima!
É saber que, de repente,
Um safado, lá em cima,
Brinca com toda essa gente!
Mas
não é só ele não!
Tem mais dois ou três safados,
Que, como o Armacoamão,
Alteram o resultado!
Mas,
meu cumpade paciente,
Enfim, vou fazer o que?
Venha visitar a gente,
Tem muita coisa pra lê!
Tem
conto, tem poesia,
Tem livro, e até ensaio!
Erótico – Ave Maria!
Que ao ler quase desmaio!
Mas
cumpade, to pagando
Esse papo tão bacana
E eu não tenho sobrando!
A linha é interurbana.
Não
leve assim, tão a sério
Porque, se leva, cumplica!
Como? Ah, sim! É um mistério!
Mas acho que Freud explica!
Outro! Tchau!