Poemas

José Donizete Gonçalves

No Princípio

No princípio, havia Lusitânia,
Cheirosa pétala da Flor do Lácio

 

No prinçipio, havia Portugal
Envolto doutras flores no jardim,
Dileta Flor do Lácio, sem igual,
Bem mais que as margaridas e os jasmins.

 

E no princípio o Tejo fecundava
A garganta dos trovadores, clássicos,
Românticos, surrealistas, árcades,
Simbolistas, modernistas, barrocos,
Humanistas, maneiristas...

 

Oh, Pátria Lusitana não continhas
No território, palco seu de glórias
Conter-se em seu território
Pautada pelo sonho da conquista

 

Saindo a semear tais sementes,
As sementes e en, novo mundo,
Floriu na América, n’Ásia, n’África,
E em todos os continentes, enfim.

 

Santa Maria, Pinta e Nina são
Mero prelúdio das conquistas mil
Da esquadra lusitana ora em ação
Que além de descobrir o meu Brasil.

 

Entraram para a hisitória com Cabral
E depois de fugir do Adamastor,
Achando ter tomado o caminho de Goa,
Foram para o Corcovado, do Cristo Redentor.

 

Oh, não! Mulheres e homens sem as calças!
Esse povo parece tão tranqüilo
Creio até que sequer pensam naquilo
Levando a vida na melhor das valsas.

 

De repente, se espantam na chegada
Da Santa Maria, Pinta e Nina,
Sua tranqüilidade foi levada
Nos seus olhares espantados, vivos...

 

Latentes, eis uns suspiros de quem acha
Em meio à novidade, algum mistério...
No aproximar-se duma nova raça,
A impressão de um assunto muito sério.

 

Seriam deuses, vindos de Tupã?
Indagavam os índios d’olhos mansos.
Ou da tribo de algum guerreiro afã?
Por que usam essas canoas grandes?

 

Acostumados a beleza cósmica
Dançando ao lado do Curupira
Contemplando a querida tez JACI
Em qualquer lagoa refletida.

Windhoek, 22/9/00

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