
Poemas
Jorge Lennon
Carruagem
27/06/01
É
uma tarde cinzenta, chove lá fora,
piano calado no canto da sala,
fico em pé junto a janela,
meu pequeno jardim
rejuvenesce.
Mesa
posta a espera do chá da combinada hora,
tudo parece em ordem, não falta mais nada,
exceto a tua chegada, a mais bela
mulher que escolhi pra mim,
anoitece.
Badaladas
do relógio me alertam a tua demora,
coloco a culpa no mal tempo, deve estar ruim a estrada,
vejo então a carruagem avançar a ruela,
nosso encontro enfim,
permanece.
Um
mensageiro desce e me entrega antes de ir embora,
uma carta com teu selo, ainda molhada,
tua letra desenhada dizia tua recente decisão
de nunca mais me encontrar pela simples razão
de não me amar.
Recolho
meus restos espalhados pelo chão,
minhas lágrimas se misturam com as gotas da chuva,
vejo a carruagem ao longe em seu caminho de volta,
e eu incapaz de dar algum passo, me planto junto as flores
do meu jardim.