Poemas

Jorge Lennon

Meu inferno... meu céu
07/02/01
08/02/01

silencioso, misterioso
esse pulsar que derrama
em tua entranha
te faz sentir
homem
me faz
mulher
Somos um

 

Esta espada de fogo
forjada a ouro
em tua entranha
te faz sentir
rei
me faz
rainha
Somos um

 

Além do bem e do mal
do amor e ódio
nas trilhas do castelo negro
te encontro e cruzo por onde andei
te persigo e é o que quero
é a lei

 

O que é proibido nunca foi
basta renascer no teu ventre
para ver o desmedido
meu ser sacudido
no eterno tempo semente
quando a luz negra brilhou
e ninguém viu
tu
mulher
prostro-me aos teus pés
Meu inferno...meu céu

 

Dissonante, divergente
caos harmônico
minha cela, teu universo
com três sóis, sem sombras
seis luas, todas tuas como se fossem
tuas tetas
e eu teu nono planeta

 

No meu sangue corre teu amor
vivo, real, impensado
eu, amado
a vergonha se desfez
numa única vez
em múltiplo orgasmo
vislumbrei a fera, senhor da terra
do mar, do ar
senhor do verbo
amar

 

Caminhante, delirante
meu hálito, cheiro
é o teu
venci a vida, a morte, o éter
de onde vim eu volto
de tu, mulher
e mais uma vez,
derradeira vez,
prostro-me aos teus pés
meu inferno...meu céu

voltar