
Textos em Prosa
Jorge Lennon
Minha
casa
07/07/01
Segure firme a minha mão. Não, não largue. Agora não.
Perceba como está quente, é emoção latente, diferente, sem segundas intenções, nada em mente.
Vamos caminhar um pouco, respire fundo, eu lhe conduzo nesse novo mundo.
É um lugar onde se pode confiar, onde só há sentimento puro, prazeroso, majestoso.
Onde é ? Um recanto que tenho cuidado com muito carinho, com muito gosto.
Um lugar indivizível, perfeito para morar. Não está longe daqui, sabe, nele sempre vivi.
Em frente à casa existe um lindo jardim, adiante um pequeno lago. Mais ao longe pode-se avistar carvalhos cheios de ninhos de colibrí que enchem o ar de harmonia com o seu cantar.
Sei que é sedução o que lhe digo, mas creia, é verdade, é possível esta minha realidade.
Não, não é um paraíso. Tive muito trabalho para construir. Foi difícil para mim, mas conquistei a mim mesmo.
Minha casa é de cristal limpido e transparente e quem quiser me achar basta olhar a casa e lá me encontrará.
Estarei lá ou em qualquer outro lugar, pois levo a casa comigo. Fiz da minha alma um lugar bom de se morar.
Quer entrar ? Entre. Sente-se. Sinta um perfume misterioso bailando no ar. Jasmim ? Sinta o que desejar.
Quer um chá ? Eu mesmo plantei e colhi. Aqui está. Beba, sorva com prazer, eu mesmo acabei de fazer.
A lareira está sempre acessa pois a lenha é de boa qualidade e produz um bom calor. Sinta-se em casa. Sua própria casa. Por que ? Porque as almas não são diferentes.
Lembra do lugar indivizível ? É aqui. É meu, seu, e de quem quiser vir. Basta ter um bom coração, ser sincero consigo mesmo e ter aprendido a conjugar o verbo amar. Quando você acordar e soltar a minha mão, não é preciso que se lembre bem de mim. Basta sorrir com a alma.
Até amanhã.
Beijos.