Textos em Prosa

Jorge Lennon

O Rei
09/07/01

Como por um encanto de gnomos e duendes, lá na floresta encantada da planta semente, uma onda de pétalas de rosas invadiram minha mente, e lindas dançarinas dançavam a dança do ventre.

Me encontrei num majestoso palácio que flutuava no espaço, havia na abóboda um desenho dum grande compasso apontado para um céu estelar. Na entrada do templo  duas grandes colunas com algumas inscrições egípcias que no momento não pude decifrar.

Tal era a magia que encontrei no grande salão, que eu mesmo nem sentia meus pés no chão. No leste sentado como um Rei, havia um senhor que falava coisas sobre amor e no oeste um grande altar com candelabros de fino ouro delicadamente trabalhados. Juro, meus olhos ficaram extasiados.

Como serpentes, as dançarinas contorciam seus corpos sinuosamente, e um cavalheiro ao meu lado me ensinou de que se tratava de um antigo ritual, sagrado, e ele muito compenetrado respirava profundamente que me parecia querer captar toda a energia que vibrava no ambiente.

A música era surpreendente, invadia todos aposentos do palácio. Meu corpo quase que dormente, suportando um êxtase premente girava, bailava e cantava numa alegria tremenda e recebia como oferenda a doce sensação de pertencer ao mesmo tempo todos universos do universo e de poder escrever em versos sem medo de gritar  coisas que vêm de dentro, fagulhas do coração.

E de repente, de volta ao mundo presente, me vejo perplexo, num reflexo duma poça d'água. Somente depois de algum minutos pude voltar a minha realidade. Eu era um mendigo que sonhava, mais ainda amava, era tudo que me restava e de nada mais precisava.

Neste sonho aprendi que eu era o Rei e que sustentava a realeza da alma que nenhum homem pode roubar. De corpo ereto, sacudi minhas roupas, abandonei minhas trouxas e segui o meu verdadeiro caminho, escrito num pergaminho que encontrei na rua. Lá dizia: AME. Sempre.

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