Poemas

Jorge Lennon

Você a Criadora, eu, a criatura.
23/06/01

Andando à toa pelas ruas da cidade
desligado, meia idade, com jeito de menino,
calça jeans, metade desbotada, quase rasgada,
camiseta solta, um tênis meio sujo, sem identidade.

 

Cantarolando pedaços de letras, de velhas músicas,
Um tanto desconexo, desafinado, um doido misturado com maluco,
traços da vida, aquela alma perdida, esquecida num canto do universo,
mas feliz, feliz da vida, sem medo de viver, até de reviver canções esquecidas.

 

Tantas pessoas e situações, trilhas e ruas, belas e feias, vestidas e nuas,
Tempos doces e amargos, horas de fartura, de amargura, cada um com seu fardo,
curtindo o seu barato, momentos de falta de dinheiro, do aluguel, da conta do bar do Seu Manoel,
o gás pro isqueiro, a guimba do cigarro procurada nos cantos do cinzeiro.

 

Sorrindo um sorriso maroto na ponta da boca quando passa aquela garota,
duns vinte e tantos, mulher, mas com jeito de ainda mocinha, que gracinha !
É tempo de dar um tempo, secar os cabelos no vento, do vento que fez a volta,
abrir a porta, sair pelo mundo vagabundo, resoluto, absoluto, nem claro nem turvo.

 

Não quero rimar meus versos, preciso contradizer, pra não esquecer a minha origem,
donde vim, ir até o fim, mesmo com impecilhos, sem amigos ou inimigos,
Foi embora a dona esperança, não mais preciso, agora tenho a minha lança,
que alcança o teto do céu, sem névoas, sem véu.

 

Sou assim, capaz de amar e odiar, rejeitar ou venerar, larguei a hiprocrisia, noutro dia,
sem o tal do politicamente correto, eu, hoje, homem ereto, minha espada de ferro,
que só você, Santa Mulher, é capaz de fundir, espargir minha mente nas alturas,
Você a Criadora, eu, a criatura.

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