1-
Maurício, é um prazer imenso entrevistá-lo. Antes de tudo
gostaria de conhecer um pouco de sua infância. Onde nasceu e
encontrou inspiração nos primeiros anos de sua vida?
Vânia, antes de responder a
sua pergunta, deixo aqui expresso o meu especial
agradecimento a você pela oportunidade de tornar público o
livro “7 passos para mudar o mundo” e, mais que isso, por
convidar-me a compor o seleto rol de escritores do seu site
literário, que espelha o coração e a alma de sua criadora.
R-
Nasci na capital de São
Paulo, em 12 de dezembro de 1954, no seio de uma família
dedicada e amorosa, onde, como caçula e único filho homem
dentre cinco irmãos, recebi a bênção de conhecer e partilhar
a preciosidade incomparável do universo feminino, que é,
para mim, a maior dádiva que poderia receber nesta vida.
O espírito
observador e investigativo me levou, desde muito jovem, a
buscar os caminhos do autoconhecimento, reflexo da herança
paterna, que muito me honra e gratifica.
2- Qual
é sua formação? Tem formação acadêmica?
R-
Em 1971 mudei com meus pais para a
cidade de Recife e em 1974 ingressei no curso de Engenharia
Agronômica, na Universidade Federal Rural de Pernambuco, por
força da atração e amor pela natureza, divinamente
materializada no Pontal do Maracaípe, retiro escondido ao
sul de Porto de Galinhas, então singela vila de pescadores
perdida no litoral nordestino, onde me refugiava nos
incontáveis momentos de introspecção, em busca das razões
essenciais da existência humana.
Em 1977, por
intermédio de um amigo que havia recém-criado uma comunidade
esotérica próximo a Brasília, consegui minha transferência
para a UnB, sendo que, em um momento de difícil escolha,
abandonei a universidade. O quase-formando em agronomia
tornou-se andarilho, sem rumo e destino, tendo como
companheiros constantes e silenciosos duas mudas de roupa e
um livro de Buda. O tempo, ao invés de respostas, conferiu
resignação, o que me fez retornar ao lar paterno e, sem
demora, a colocar os "pés no chão", constituir família e
“enquadrar-me” afinal, e por força das circunstâncias e
empenho pessoal de uma alma–irmã voltei as estudar e
graduei-me Bacharel em Direito.
3 - Qual
a lembrança mais remota que conserva em sua memória?
R-
Um fato, em particular, conservo
na lembrança. Desde tenra idade e sem qualquer razão
aparente fazia da respiração uma arte. Desconhecia porque o
fazia, mas respirava, pausada, rítmica e ininterruptamente,
quando em meu quarto me encontrava só. Contudo, na
adolescência, ao folhear um livro de yoga, deparei-me com as
posturas e as técnicas de respiração que, curiosamente,
praticava. O que dizer disso? Só uma resposta poderia ter: a
vida, aqui, não é um fim em si mesma, mas um meio para
aprendizado e evolução da alma.
4- Pode
falar um pouco sobre sua relação com seus pais?
R- O que se espera de um
filho único homem e caçula? – Que seja mimado e
superprotegido por toda a família? – Sim, mas, além disso,
eram muitas as responsabilidades. Meu pai depositava em mim
toda confiança e expectativas ao passo em que exigia do “seu
varão” o melhor em tudo, o que me engrandecia e oprimia ao
mesmo tempo, porque isso fazia com que eu não me permitisse
errar e quando isso acontecia minha mente se transformava no
meu mais severo e intransigente juiz. Minha mãe, fortaleza
de alma nobre e coração infinito, estava sempre pronta a
suprir todas as minhas (nossas) necessidades e vontades. A
contragosto do meu pai, me orientava nos afazeres
domésticos, alguns deles aos meus exclusivos encargos,
porque, como dizia, deixariam “marcas” nas mãos e joelhos
das “filhas moças”, ensinamentos honrosos que passei aos
meus filhos com muito orgulho.
5- Quando começou a luta pela subsistência?
R-
Exatamente em 1977, quando deixei
Recife, onde tinha uma vida material estabilizada e
confortável, e vim para Brasília, indo morar no Centro
Olímpico da UnB. Estudava em horários diversos e, entre uma
matéria e outra, ministrava aulas de inglês em um cursinho
pré-universitário durante o dia e em uma escola de línguas à
noite.
6- Lê
muito? Quais os autores que mais lhe impressionaram?
R-
Sempre gostei muito de ler.
Pequeno ainda, vivia às voltas com gibis, meus companheiros
inseparáveis de cabeceira. Aos 16 anos li Fernão Capelo
Gaivota, do Richard Bach, e “descobri” que alguém, em algum
lugar, pensava como eu. A partir daí comecei a buscar
autores e leituras que me ensinassem algo além do que o
mundo oferece. Dentre outros, vários, Sócrates, Platão,
Hermann Hesse, Lao Tsé, Chiang Tzu, G. Kalil Gibran,
Fernando Pessoa. Mais adiante me despertou interesse a
Autobiografia de um Yogue, de Paramhansa Yogananda, daí aos
contemporâneos – e meus mestres – Mahatma Gandhi e Ramana
Mararish, humanos que exemplificaram ao mundo a excelência
da Divindade.
7- Teve
ou tem algum líder que admire profundamente?
R-
Afora Jesus – o Cristo de Deus –,
luz do mundo e caminho da Verdade e da Vida, admiro
profundamente o homem Gandhi, exemplo de conduta reta e
irrepreensível a ser seguido. Esse o meu exercício aqui,
colocar os passos sobre o discurso, harmonizando-os em todos
os momentos.
8- Qual
é a sua filosofia de vida?
R-
Sou libertário, no mais amplo e
irrestrito significado de sua essência. A liberdade é a
condição natural do homem, muito embora quase tudo no mundo
induza – ou conduza – a algum tipo de prisão. Assim,
considero o maior e mais profícuo aprendizado dos seres
humanos a sua capacidade de desfazer, conceitos, limites,
padrões e tudo, enfim, que o obrigue a ser o que a ele se
impõe, ainda que subliminarmente. Acredito, fielmente, que
somente na liberdade se encontra a felicidade, busca eterna
e intangível perseguida, desde sempre, pela humanidade.
9- Como
foi escrever “7 Passos para Mudar o Mundo”?
R-
Ainda que muitos escritores
entendam que a concepção de uma obra literária se dê por
meio de uma consciência “além da razão”, 7 passos para mudar
o mundo transcendeu não só o meu conhecimento filosófico,
esotérico e metafísico, como materializou-se de maneira
inusitada, porque apesar do contexto de idéias extremamente
complexas veio estampado de forma clara e compreensível, o
que é incomum na literatura oriental e ainda mais na
ocidental. Os 7 passos, se exercitados com vontade e
dedicação sinceras, conduzem, invariavelmente, a resultados
surpreendentes. Basta acreditar e realizar.
10-
Surgiu repentinamente ou foi se desenvolvendo aos poucos?
R-
Embora goste de escrever, transpor
para o papel – e mais recentemente para o computador –
idéias que tenha sobre determinados assuntos, me deparei com
uma situação nunca antes vivida. Um dia, meditando como de
costume, a mente vazia, sem nada pensar ou querer, tive um
impulso, sentei diante do computador e minha(?) mente ditava
o texto e, sem questionar, meus dedos seguiam as idéias que
vinham sem controle, medida ou censura. Várias vezes acordei
no meio da noite e quando me dava conta muitas idéias
estavam já expressas, completas e precisas, sem que tivesse
uma explicação, ao menos, razoável para tal, o que me fez
sentir, pela primeira vez, o que era o decantado exercício,
jamais experimentado, de “deixar fluir”.
11- O
que sentia na “Hora de criação”?
R-
Êxtase. Desde o momento em que
“concebi” as primeiras linhas de “7 passos” até este
instante, em que respondo às suas perguntas, é isso o que
sinto, puro êxtase, sensação de plenitude e paz infinitas.
12- Para
que público é dirigido seu livro?
R-
“7 passos para mudar o mundo” é
dirigido a todos aqueles que buscam um caminho de libertação
de tudo o que oprime e aprisiona. É uma leitura que exige
reflexão, mas, mais que isso, implica em prática, cotidiana,
da Divindade, em nós.
13-
Poderia dizer algumas palavras para seus leitores em relação
às suas experiências e à própria vida?
R-
Tudo o que posso dizer aos
leitores do(s) 7 passos – e àqueles que sequer o conhecem –
é que é possível e que somos, sim, capazes de mudar o mundo,
a partir de nossa vontade, de nossas atitudes, sem
julgamento de como fazem “os outros”, mas de como agimos
nós, porque se olharmos para os lados, ou para trás, ou
ainda para como se comportam os nossos semelhantes, não
estaremos disponíveis para “ver” o agora, e é exatamente
neste momento, eterno presente, que podemos fazer a
diferença.
14-
Pretende escrever outro livro?
R-
Diante da receptividade e do apoio
que tenho recebido de conhecidos e amigos, passei a
acreditar nesta possibilidade, mesmo porque já há outro com
algumas linhas traçadas, que pode vir a ser editado. Tudo em
minha vida está “entregue” ao Ser que conduz todos os meus
atos e se assim for, que seja para iluminar, ainda mais, aos
meus semelhantes e ao mundo.
15-
Maurício, agradeço sua entrevista e o espaço é seu agora
para que possa se despedir do seu público e de todos os
leitores do Site Vânia Diniz.
R-
Sou eu que agradeço à oportunidade
maravilhosa de poder compartilhar
a dádiva do conhecimento,
universal e eterno, que sempre esteve à disposição de todos.
A idéia
fundamental é ter em mente que não estamos no mundo por
acaso, não somos fantoches de um deus injusto, inconseqüente
e mórbido e nem a nossa vida está à mercê do imponderável
desconhecido, ainda que se acredite nisso. Em verdade, cada
um tem um aprendizado a perfazer e uma missão a cumprir. O
livre-arbítrio “conduz o destino”, do jeito que se acredita
e faz.
“7 passos para
mudar o mundo” vem relembrar aos meus irmãos, de toda raça e
credo e condição, a mensagem dos santos, mestres e avatares
que por aqui passaram, que o amor é a razão de toda
existência, caminho seguro para desfazer a ilusão que teima
em fazer crer ao homem sua exclusiva humanidade, quando
somos mais, muito mais do que os sentidos percebem e a razão
pode alcançar.
Luz e paz.