Joaquim Evónio

Ósculo

Provei o suco da tua alma e saboreei caminhos quase esquecidos

Lábios de promessa universal, contagiosos e quentes…

Humidade de revelação esotérica, canto de tantas mocidades perdidas…

Ternura desencadeada a aproximar-se de todos os sóis, desventura de te querer tão tarde e tão cedo…

Alma limpa de escrúpulos e fronte virada para a Lua.

Desconcertante imagética dum velho quase-criança a dar os primeiros passos na escola do amor…

Poesia da música e claves de sol do sonho espargiram orvalho sobre os universos do esquecimento e trouxeram-me de volta à vida sem realidade.

Então por que tenho medo? Só por razões retóricas que nada têm a ver com o sonho ou a música.

Vamos escrever o poema das vidas que tanto perdemos depois de nos termos encontrado.

As candeias apagadas e enterradas nas areias do deserto florescem em néctar de pétalas e gineceus…

Maná do amanhã projectado para ontem e para o futuro.

Só conheço um amor… que dá pelo nome de integral.

Apesar de tudo, mais uma quimera, apenas mais uma…

Joaquim Evónio

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