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Mãe preta, pai preto
Idade não interessa
na certidão de nascimento
por simples erro
estava escrito Cor Parda
Cresci nos bancos dos brancos
brincando de mocinho e bandido
sem nunca ficar com a mocinha
Acordei poeta de versos e prosa
viajei em bares, defequei em mancos
beijei bocas de amores e ódios
O que os olhos viram o poeta pariu
as dores, as cicratizes, as injustiças
esculpiram o corpo, iluminaram a alma
A dança, a música, a vida, o inexplicável
convivem com o eu poeta
dividem a alegria de ser negro
e não distante existe uma África
uma história a ser contada
Em mim mora uma vontade,
uma verdade, um clamor,
um grito de amor,
um apelo, um negrume
por igualdade·.
Jorge Amâncio
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