Poemas

Jacqueline Santana

Os moinhos de São Jorge

Dedicado ao casal amigo JORGE KAJURU e ISABELLA

A lua cheia, atrevida,
desnuda os segredos da gente.
Jorge vê a donzela
caminhando sob a noite clara.

 

Por quê as noites
teimam em ser claras
como os dias?
Ele não quer noites claras.
Tem medo da paixão.

 

Tarde demais ...
A noite clara,
uma donzela ao luar,
a solidão de um coração
ansioso por entregar-se...

 

Moinhos de vento...

 

Dom Quixote, solidário, assiste.
Empresta a sua lança de sonhador
para que Jorge capture o seu grande amor!

 

Jorge esquece o dragão.
Mira naquele casto e cândido coração.
Os moinhos, testemunhas são.

 

Como os moinhos
o amor gira
calmamente,
dentro do peito atormentado
apaixonado de Jorge.

 

Mansamente
a bela Isa
descobre sob o luar
o moinho iluminado.
Este, ela nunca havia notado...

 

Desvenda,
contempla,
admira atenta...
Entrega-se a Jorge!

 

O tempo, sábio,
corre lentamente
tecendo aquele amor.

 

Jorge, agora,
quer noites claras
para iluminar a sua amada...

 

Encantado ...
deixa-se fartar 
pela alegria
de simplesmente
-estar...

 

de simplesmente
-presente...

 

de simplesmente
o amor existir
-ali...

 

No vento que vem
ISA
No vento que vai
BELA

 

No tempo que desvela  
ISA
no tempo que a mantém
BELA

 

No lábio que procura
ISA
nos lábios que murmuram
BELA

 

No amor que ele tem por
ISA
no amor que a faz
BELA!

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