Poemas

José Ernesto Kappel

Fácil, Fácil Demais

Ânsia,de várias vezes ;

ânsia disso,

ânsia daquilo,

infindáveis ânsias

que mora a pouco metros

de mim.

Na casa ao lado,

na mansão do medo,

no espigão da frente,

na moradia dos incautos,

coberta por amianto,

no prédio dos comuns,

na fresta que se abre

e luz não entra.

Ânsia sem cessar,

que não fica na porta

de ninguém

mais vive na minha, alentar.

Ânsia do meu mundo acabar

e eu com ele.

Se você já foi uma vez

tal ânsia,

sabe do que falo.

Aquilo que gargala o

estômago e medra

as mãos em suores

alados.

Se já foi ânsia,

você faz parte de mim,

de minhas coisas

e das coisas que não tenho.

E não tenho banho-maria,

nem corte marcial,

nem desfile infernal,

nem escadas prá subir

e mais outra prá descer.

Se você já foi ânsia,

sabe lá o que bem falo.

Falo do mundo que

cria fantasmas e

depois trata de

matá-los.

E minha ânsia corre o mundo:

desde Angola até Portugalo,

corre atrás da paz perdida

do sossego desavisado

da agonia desatenta.

E nesta ânsia comum

há um fato banal

e corriqueiro:

só tem ânsias

aquele que perdeu,

ou está prestes a perder,

sua viola mágica,

seu maestro de vigor,

sua infância de circos

ou seu amor fácil.

Amor fácil demais,

mas cheio de ânsias!

Dedicado a: Vânia Moreira Diniz, em 31/1/2001 09:10:48
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