Primeiro, conheci o Jornal Ecos, de Vânia Moreira Diniz, que sugeria, no título, um duplo sentido interessantíssimo, por jogar com a sonoridade da palavra "jornalecos", enfrentando o preconceito que a maioria das pessoas (ainda) tem dos pequenos jornais alternativos, esquecida de que se trata de uma imprensa de formação importantíssima, opção poderosa capaz de confrontar, complementar e dialogar com a grande imprensa informativa, atrelada a interesses comerciais. Em Jornal Ecos a conotação pejorativa esvaziava-se diante dos ecos que esse jornalismo independente produz, e de suas valiosas repercussões no âmago de nossa sociedade.
Agora, é muito gratificante perceber que o e-zine transformou-se em portal, em um espaço bem maior, possibilitando a ampliação e a amplificação de mais ecos, muitos e muitos mais ecos e vozes. Aplaudimos esta iniciativa, grandiosa como o entusiasmo de Vânia Moreira Diniz, esta humanista incansável quando se trata de trabalhar em prol da literatura brasileira.

Leila Míccolis
escritora de livros, cinema, teatro, TV e Mestra em Ciência da Literatura/Teoria Literária (UFRJ)


                                                    

          
         
Prefaciar uma obra às vezes é mais fácil do que apresentar seu autor, porque é comum o escritor considerar-se um intelectual, orgulhoso da sua eloqüência. Desses, precisamos nos fixar apenas nos méritos literários, evitando, ao máximo, os perigosos terrenos pessoais, onde medram empáfia, egocentrismo e exibicionismo. Não é o caso de Vânia Moreira Diniz, historiadora, humanista e pesquisadora: nela, vida e obra caminham juntas, de forma harmônica, fazendo com que o leitor não se sinta traído pelo texto, nem iludido pelas palavras bonitas, mas tão alheias à vivência existencial de quem as escreveu.

Vânia é transparente. Não se incomoda de expor-se, de mostrar-se como é, de desnudar-se e oferecer-se para os leitores, sob todos os ângulos. Não maquia emoções, não mascara sentimentos. Suas poesias são verdadeiros atos de amor, no clímax do despojamento da entrega. Sua obra não disfarça, não camufla, não dissimula: compartilha sensibilidade. E idêntico comportamento ela assume no seu site, ao dividir espaço, ao dividir amizade, ao dividir-se, entre tantos, generosa, amorosa e solidária.

Não se poupa, em momento algum: sempre presente, doa-se emocionalmente a todos nós, seus parceiros de sonhos e ideais, nos surpreendendo com a intensidade de seu sentir, de suas atenções, de seus carinhos, apoio, entusiasmo, gentilezas. Ela é a maior prova do quanto o virtual pode ser real, caloroso e aproximativo, quando as pessoas não precisam viver perpetuamente na defensiva, resguardando-se o tempo todo das suas afetividades. Não nos conhecemos pessoalmente, mas não é necessário ver-se de perto alguém para reconhecer-lhe o caráter, a força criativa, a postura extremamente ética. E por ser tão abnegada e magnânima, ela é ampla, ela é livre: alarga horizontes e voa amplidões.

Neste final, volto ao princípio: é por vida e obra interligadas tão corajosamente que me valho de uma idéia da própria autora, para concluir esta breve apresentação: sempre que o referencial é Vânia Moreira Diniz, simplesmente, eu me enterneço.

Leila Míccolis
escritora de livros, cinema, teatro, TV e Mestra em Ciência da Literatura/Teoria Literária (UFRJ)

Voltar