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Então, 2006, estás aí, na minha porta!Eu não podia imaginar o quanto ansiei por tua chegada, o quanto 2005 me foi ingrato e malvado, o quanto tinha a necessidade de mudar! Havia entrado em 2005 pela porta da frente, com vontade de transformar como em todos os anos, porém não imaginava o tipo de truques que enfrentaria.Esse 2005 me pegou de calça arriada! Foi um ano ruim, um dos piores pelos quais passei. E, por ter sido tão desagradável,por ter-me posto à prova, por ter-me deixado completamente desorientada e sem rumo, foi um ano marcante, dessas marcas que deixam quelóide na alma. Assim, 2006, tua responsabilidade é enorme! É preciso me fortalecer, me refazer, me deixar inteira novamente. Preciso resgatar meu prumo. E conto contigo, eu, cidadã brasileira. É claro que houve o lado positivo, senão eu não agüentaria! Eu estou viva, tenho quase todos os que amo perto de mim, ainda enxergo o suficiente para assistir aos maiores espetáculos do universo, que são: o nascer do sol, o raiar da lua em céu estrelado, e o sorriso dos meus pimpolhos. Tenho também a audição, que me permite ouvir melodias, o canto dos pássaros, e meu nome, dito nas bocas abençoadas. Tenho o esplêndido dom do tato, que me propicia deliciosos banhos de chuva, sentir o vento nos cabelos, e aquele toque em minha pele. Ainda possuo o olfato, com que posso sentir o cheiro de mar e de mato molhado, sentir o hálito de minhas crianças, sentir o perfume da pele do amado. Ah! E quantas pessoas encontrei, quantas me encontraram, quantas abracei! Neste ano, certamente, cantei menos, dancei menos, sorri menos, chorei mais, sofri bem mais... É, neném, tua tarefa não vai ser fácil! Tomar o lugar do 2005, de saída, vai te fazer torcer o nariz, pois o povo continua na mesma, os políticos idem, e a miséria, maior ainda. Mas sou otimista, acredito na força mágica de cada ano que entra. Acredito em ti! Somos naturalmente fortes e animados, eu e tu, tanto, que nos festejamos mutuamente, a cada dia. Meus planos? Ah! Meus planos são fazer de ti um ano de paz, de equilíbrio, de prumo, de reencontro de mim comigo mesma. Já fiz a lista das promessas inadiáveis, dos compromissos mais urgentes, das medidas definitivas, contudo, tudo isso vai ter que esperar para fevereiro, porque em janeiro eu vou dar um tempo, vou descansar numa praia linda, beber água de coco, pegar uma cor, que não sou de ferro, com grossas camadas de filtro solar, é claro! Não escolhi ainda roupa nova, nem lugar especial, porque eu quero me vestir de minhas peles, e quero ficar onde eu estiver, que me serei boa companhia. Quero me lançar sem medo nos teus braços, 2006, e seguir confiante nos meus passos. Portanto, 2006, prepara-te! Vem com tudo de bom! E que chegues em paz, sereno, amadurecido, de mansinho, pra não me assustares. Que venhas para me fazer feliz, para me fazer sorrir de prazer, para me fazer plena de luz e sabedoria, porque preciso retomar a poesia, é necessário que eu derrame versos no pôr-do-sol, que eu grite através das letras, porque nosso povo está surdo de palavras vãs. Preciso de coragem, 2006, para levar adiante a vontade de modificar o antigo, sem desprezar seus ensinamentos; a garra para entender o outro, e transfundir-lhe alegria e fé no mundo; a sobriedade de não transmitir falsos valores, em nome da cidadania, da solidariedade e de um mundo melhor e mais justo. Um brinde a ti, 2006! Lílian Maial |