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A fraqueza do homem está na ausência absoluta de razões pelo que ser
forte, pelo que lutar.
No mundo atual, as facilidades são tantas, as alternativas, inúmeras,
que as metas já não são traçadas com a mesma determinação de
outrora.
O homem se deixa levar pela inércia, pela inatividade, pelo caminho mais
fácil. Ou, ao contrário, como forma de não se deixar abater e dominar
por ela, lança-se desesperadamente ao trabalho, em atividades múltiplas,
sem tempo para a meditação e os questionamentos, o que gera um desequilíbrio
entre o corpo e a mente.
De nada adianta cuidar do corpo, do trabalho, das metas e bens materiais,
se não há conforto na mente e no espírito.
Viemos da terra, somos feitos de carbono, integramos a natureza, dela nos
alimentamos, assim como ela se alimenta de nós. É nela que recarregamos
as energias.
Precisamos não só preservar a natureza, como reparar mais nela,
interagir.
Temos que sentir o sol, perceber seu calor, deixar a luz entrar pelas
pupilas, e alegrar nosso coração.
Necessitamos nos deixar molhar pela chuva, sentir o cheiro da terra,
umedecer os sentidos, amolecer os rancores.
É fundamental observarmos as plantas e flores, tocar em sua superfície,
experimentar sua maciez, permitir que nossos dedos se regozijem com a
ventura de possuir tato.
Obrigatório o banho de mar, ter os pés beijados pelas ondas, as espumas
fazendo cócegas. Perder o olhar na imensidão do azul, lá onde ele se
encontra com o céu, traçando uma linha que costura nossa imaginação.
É preciso pular, correr, sorrir, gritar, gargalhar, falar alto,
gesticular, autorizar suas emoções a transbordarem e inundarem o coração
da Terra e dos Homens.
E assim, sem religião, céu, inferno, pecado, concebo Deus da forma mais
pura e verdadeira, sem dogmas, sem templos, sem ofertório.
Não me venham falar de fé, de caminho certo, de felicidade, porque um
inspirado poeta já disse e, por assim dizer, viveu essa comunhão:
“- A coisa mais certa de todas as coisas não vale um caminho sob o
sol”.
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