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Há um canto de pedra no rio do poema canto de multidão no eco das encostas esquecido alento
Há um berço de embalar marolas um fio de voz que se impõe no acre anunciando o pão
Há um aroma de verbos amordaçados um travo de rosas e cravos ventos de um perfume intenso
Um gotejar de anseios cheiro de horizontes a polinizar tempos de chegar
No exílio das rimas
a mão firme escolhe o trigo
Um sol se mescla ao verso incêndio de prados e preces e o canto se inflama no peito
Pulsa na entranha da palavra a cicatriz de morte amalgamada no silêncio acostumado de gado
E rasga a chaga do medo extirpa a lágrima de ontem que a colheita prospera na carne do povo.
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