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Teus
olhos – duas pérolas-sementes, Tão
negros, que a graúna empalidece, São
luas, a sorrirem de contentes, São
lagos, de represa que anoitece. De
dia, qual farol de um mar latente, Que
acende, ilumina e entontece, De
noite, doce archote incandescente, Ardendo
o meu querer, que tanto cresce. Por
dentro desses olhos de promessa, Nos
cílios, equilibram-se vontades, Desejos
que, eu, poeta, decifrei. No
mar de escuridão, velas dispersas, Meus
olhos, procurando outras metades, Soçobram,
nau dos teus, onde ancorei. |