Lilian Maial

Negrume

Teus olhos – duas pérolas-sementes,

Tão negros, que a graúna empalidece,

São luas, a sorrirem de contentes,

São lagos, de represa que anoitece.

 

De dia, qual farol de um mar latente,

Que acende, ilumina e entontece,

De noite, doce archote incandescente,

Ardendo o meu querer, que tanto cresce.

 

Por dentro desses olhos de promessa,

Nos cílios, equilibram-se vontades,

Desejos que, eu, poeta, decifrei.

 

No mar de escuridão, velas dispersas,

Meus olhos, procurando outras metades,

Soçobram, nau dos teus, onde ancorei.

voltar