Lilian Maial
Pescadora 


Preciso aprender com o mar
a conter-me onda
abarcar todo esse sal
e sorrir azul.


Decidi brigar com os peixes
que te habitam as profundezas
e destilar a dor
em espuma e brisa.

Hoje bóio à deriva,
feito náufraga,
imersa em água e, mesmo assim,
a morrer de sede.

Transbordo saudade,
recebo plácida as gaivotas
que me pousam angústia.

Mergulho nessas águas
que te banham a alma
e te escorrem dos olhos,
e resgato um beijo de tua boca abissal.

Volto à superfície,
esvazio com a maré,
deixando expostas as formações rochosas
feridas pétreas
que tua ausência sangra.

Nessa rede, nem tudo o que cai é peixe.
Aprendiz de pescador,
silêncio e espera
cortam mais que faca afiada.

www.lilianmaial.portalcen.org
www.lilianmaial.prosaeverso.com

voltar