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Agruras Nas Entrevistas Compartilho das preocupações dos profissionais que vão a entrevistas nas empresas. Embora o entrevistador, geralmente, não esteja preparado para formular perguntas técnicas, encontra-se numa posição bastante confortável: está empregado. Julga-se dono da situação. O candidato, não. Embora satisfeito com a perspectiva de uma boa entrevista, já sai de casa preocupado com a escolha da roupa. Irrita-se com a demora do ônibus. Na entrevista, não sabe se deve adotar um tom comedido ou ser sincero - e se arrepender depois. Não sabe se deve relatar toda a sua vida profissional, se pode fumar e se deve ser discreto ou falante e fazer perguntantas. O seu estado de ânimo é perceptível e pode prejudá-lo no processo de recrutamento e seleção. Talvez a astrologia funcione. Um estudo realizado na Alemanha, revela que as pessoas são influenciadas pelo seu seu signo zodiacal. Não acredito, mas segundo a pesquisa, os bons vendedores, por exemplo, são principalmente aqueles que nascem numa determinada conjuntura astral. Além dos testes de personalidade, interpretação grafológica e outras variedades de testes, há empresas que só contratam novos funcionários após fazer e seu mapa astral. E agora, dizem, será pior quando a tecnologia descobrir se o candidato está sendo sincero e a sua personalidade é tão interessante como parece ! Pobres candidatos; devem falar com simplicidade por que o entrevistador pode pensar: “Ele quer o meu lugar”. Precisam adivinhar se estão falando com “o filho do homem” e, pior de tudo, cruzar os dedos para que o seu signo zodiacal combine com o mapa astral da empresa. Conheço um candidato a gerente financeiro que foi entrevistado três vezes: duas, por diretores, uma, pelo vice-presidente. Sabem como se fazem cirurgias complicadas? 0s médicos discutem os melhores procedimentos, riscos e alternativas e dividem a responsabilidade. Nas empresas isso também acontece. As longas entrevistas e as conversas sobre o perfil do gerente financeiro deixavam entrever um final feliz. Ao invés, um desapontamento: o candidato não foi contratado. Qual foi o problema? Salário? Currículo? Incompetência comentada por antigos empregadores? Nada disso! O seu físico simplesmente não condizia com o que a diretoria imaginava: ele era muito magro, parecia raquítico. Embora transmitisse a segurança de quem ocupava uma posição semelhante na empresa de onde queria sair, vestia-se com o despojamento de quem só tem dois ternos. Estava em desacordo, é claro, com a postura dos outros gerentes. Não tinha, que pena, o famoso “physique du rôle” que se exige especialmente dos artistas de cinema e televisão quando disputam um papel. Concluindo: a empresa preferiu gastar mais tempo e dinheiro e virar a página. Tentou novamente buscar no mercado (inclusive nos concorrentes), um candidato com o mesmo perfil do anterior, mas mais próximo da realidade de seus gerentes As mulheres sofrem mais nas entrevistas, inclusive por que as mulheres tem ciúme umas das outras. Pois não é que uma entrevistadora perguntou à candidata por que ficara tanto tempo sem trabalhar? Ao ouvir que fizera um tratamento para engravidar, perguntou, com fingida inocência, para disfarçar a curiosidade: “E conseguiu?” Duvido se faria uma pergunta semelhante a um recém operado da próstata. Mas ninguém é santo. No fundo, temos os nossos complexos preferidos. Muitos homens gostariam, por exemplo, que as mulheres pajeassem o fogão e se ocupassem mais da criançada embora achem ótimo, e como, quando elas contribuem com o seu salário para o sustento da casa. Tenho amigas que, nas entrevistas, já enfrentaram diálogos edificantes: - Quantos anos tem? - Vinte e sete. - É casada? Quando pretende se casar? - Quero me casar, mas por enquanto não tenho namorado. - Assim fica difícil. Suponhamos que você se case. Terá filhos. Como poderá viajar e cuidar de tudo? E a empresa, como vai ficar? Você certamente não poderá trabalhar direito... Contando, parece uma história banal de outros tempos, mas tudo pode acontecer quando o entrevistador quer se livrar de uma candidata. Chateada com tantas perguntas tolas, a candidata não se conteve. Bastante alterada, bateu na mesa com a mão fechada e retrucou que, àquela mesma hora, a esposa de algum executivo, também uma profissional, estava fazendo a mala para viajar, a serviço, sem o marido.
0thilia Dauster, Administradora de Empresas, hoje conferencista e professora universitária, disse na primeira entrevista: ”0 senhor pode confiar em mim. Tenho dois filhos, boa experiência e não sou mais engravidável”. Foi contratada na hora. |