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Morte Súbita Por Envenamento Morte súbida por envenamento de gás - assunto da minha carta de reclamação, evidentemente jamais respondida por que muitas empresas não se dão ao trabalho de esclarecer os seus procedimentos. Na verdade. na análise de implantação do projeto de mudança de gás de rua para gás natural, os relatórios não devem ter apresentado eventos emocionantes ou perturbadores. A empresa havia veiculado o seu planejamento para os proprietários e terceirizado o trabalho, certa de que tudo daria certo.
Em frente aos edifícios, apareceram kombis com numerosas equipes de “técnicos”, a maioria ocupada em executar o seu trabalho dentro do cronograma previsto, a despeito dos protestos veementes dos moradores, inconformados em cortar portas, abdicar de seus aquecedores e transferi-los para a área de serviço.
Remando contra a maré, fiquei satisfeita em mostrar o meu altíssimo nível de cidadania e colaborar, sem reclamar. Autorizei a nova instalação pensando, confesso, na minha segurança. A continha veio e foi prontamente paga. Uma semana depois, sem explicação, outra equipe de “técnicos” bateu à minha porta. Nova vistoria, um novo orçamento para substituição de não sei mais qual peça ou cano. Tudo bem, raciocinei, nada como viver no Primeiro Mundo onde a eficiência é fundamental.
Acontece que, ao tomar banho – o que acontece diariamente – ouvi um estalo suspeito, repetido todas as vezes que ligava o chuveiro .Preocupada, chamei a empresa que tomou providências e enviou um novo “técnico”. Este olhou, examinou o equipamento, pensou, consultou as suas anotações e me informou que “podia ter morrido” (eu, não ele) devido à insistência (sou inocente, por favor) em usar o aquecedor de estimação, instalado, no século passado, no meu lindo e imaculado banheiro.
Entendi a questão rapidamente e visualizei a cena com bastante lucidez. Tomo banho e, enrolada na minha toalha azul felpuda (combina com a pele, assim a história fica mais dramático), passo mal e desmaio, sem possibilidade de um ser humano qualquer ouvir o baque da queda.
Aí, os vizinhos passam a reclamar o cheiro insuportável de gás, chamam a pobre da síndica, forçam a porta, preferivelmente na presença de um policial, nunca se sabe, e acabam me encontrando caída no chão, morta, mortíssima. Aparece o diagnóstico de alguém que, pensando bem, não teve que usar seus neurônios para dizer: que ”morreu envenenada devido ao gás aspirado”. Bonito, logo eu, que pretendia viver por toda a eternidade !
Nas empresas, a figura do Chefe de Pessoal cedeu lugar ao Gerente de Recursos Humanos.0 que temos hoje é a facilidade do fax, emails e xerox. 0 lambe-lambe desapareceu, a câmara digital substituiu a máquina fotográfica, os cachorros pequinês não são mais vistos nas ruas. O mundo se modifica, os hábitos se simplificam e a cultura se amplia. Vivemos com mais conforto, mas o público ainda exige a velha e tradicional atenção.
Posto em palavras simples, por que é assim que me expresso, é como telefonar para alguém e ser informado que a pessoa não está, mas pode deixar o recado. Depois de ficar afônico, repetindo o nome, sílaba por sílaba, descobre que, do outro lado da linha, está uma pessoa desprovida de lápis, papel ou qualquer objeto adequado para anotações. Se o recado não for repetido pausadamente, corre-se o risco de ouvir de quem atendeu que “não est
Posto em palavras simples, por que é assim que me expresso, é como telefonar para alguém e ser informado que a pessoa não está, mas pode deixar o recado. Depois de ficar afônico, repetindo o nome, sílaba por sílaba, descobre que, do outro lado da linha, está uma pessoa desprovida de lápis, papel ou qualquer objeto adequado para anotações. Se o recado não for repetido pausadamente, corre-se o risco de ouvir de quem atendeu que “não está ali para ouvir desaforos” e ouvir o barulho do telefone na sua cara.
Igualmente à empresa que terceiriza, mas freqüentemente esquece de verificar os procedimentos adotados por seus terceirizados, há casos em que o departamento de telemarketing não sabe que, ao invés de ganhar, perde clientes com a sua estratégia de empurrar um produto que o cliente eventual simplesmente rejeita, telefonando em qualquer horário e pior, no momento mais dramático da novela favorita do horário nobre, em que a mãe, de joelhos, implora perdão ao filho abandonado e recém-encontrado..
Não pretendo renovar a assinatura da revista”, comunica a cliente. Em resposta, ouve as inúmeras vantagens que terá com a sua fidelidade. Depois de alguns telefonemas, otimista, confiante, sorri e conclui que, finalmente, tudo está resolvido mas, como ninguém é perfeito, as revistas continuaram chegando. Dias depois, recebeu um boleto para efetuar o pagamento em banco. Ah, se a diretoria soubesse como age o departamento de vendas, tomaria medidas para que os clientes se arrependessem amargamente e pensassem seriamente em voltar para os braços fortes e acolhedores da empresa. Como nada disso aconteceu, a única alternativa foi pedir ajuda à Defesa do Consumidor.
Somos carentes de atenção. Seria fantástico (usei o condicional) se as pessoas se esforçassem um pouco para ajudar, ao invés de sugerir que o perguntador procure um outro departamento que “não sabe de nada”. Seria ótimo, decente e correto se as pequenas e médias empresas fizessem como as grandes e pedissem desculpas pelo transtornos causados ao público mas aí os consumidores que padecerem de um otimismo inadequado, precisaria sair do alfa e descer para a nossa realidade.
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