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Nepotismo E Linha De Sucessão As vezes, dá certo. Geralmente não. Uns dizem: "melhor empregar parentes do que pagar a estranhos". Outros, mais desinibidos, comentam abertamente: "Parentes são mais confiáveis e. pensando bem, por que não ajudaria a minha família?” É um ponto de vista do qual discordo. Com raras exceções, as empresas familiares têm mais histórias de insucessos do que outras, que empregam profissionais.
Mas é cômico usar o tratamento formal no escritório ou na fábrica, enquanto que, em casa, as referências são a papai, titia ou mamãe. Pode-se fazer um business plan coerente, sob a ótica da realidade da empresa, quando se sabe que o assunto será discutido em casa e se aceitará o ponto de vista de quem tem posição mais elevada na hierarquia familiar?
A "última" soube hoje. 0 dono de uma indústria têxtil queria proporcionar um ganha-pão ao seu filho (Gerente Administrativo), filha (Tesoureira), caçula (Gerente Financeiro), primos, tios e outros parentes, consanguineos e colaterais: confiava mais nos parentes do que naqueles que estudaram e foram treinados para carreiras nas empresas. Para fechar o quadro, o proprietário nomeou a esposa, sem formação superior, para a posição de Gerente de Pessoal.
Satisfeita com as novas incumbências, a nova gerente, que havia feito um curso rápido de astrologia, tratou, primeiro, de renovar o seu guarda roupa para se apresentar bem como executiva. Uma vez instalada em sala própria, com uma bonita vista para o Corcovado, mesa enorme de trabalho e plaqueta com o seu nome em letras douradas, passou a contratar novos funcionários mediante estudo dos seus mapas astrais. Ao final do dia de trabalho, a astróloga desfilava pelas salas, arrumadíssima e sorridente, cumprimentando os seus "súditos" um a um (os funcionários contratados por ela).
Por outro lado, fala-se muito em sucessão. Os fundadores, embora não queiram verdadeiramente passar o bastão para a segunda geração, acabam optando por essa alternativa. "Afinal", refletem, "nossos bens, construídos com tanto sacrifício, não podem ser administrados por estranhos". Pode ser, mas são raras as vezes em que a segunda geração é preparada para conhecer a estrutura e funcionamento de todos os departamentos da empresa..
A passagem de comando é sempre traumática. Enquanto os grandes executivos “fazem” os seus sucessores, outros empresários preferem contratar profissionais de fora da família para dirigir suas empresas. E o que dizer dos “enganadores” que, aparentemente, se desligam da empresa? Tudo o o que eles querem é nomear o sucessor e passar a curtir a vida. Quanto despojamento e dignidade! Através de palavras, piadinhas e atitudes posteriores, demonstram claramente que pretendem morrer nas empresas que fundaram.
Eu era professora de inglês do Presidente de uma empresa de materiais de construção. Por vocação, treinamento e liderança, aliados ao desinteresse dos irmãos, o meu aluno tinha se tornado o número 1 da empresa. Tinha independência para tomar qualquer decisão, especialmente agora que o pai passara à Presidência do Conselho de Administração, com o objetivo de se dedicar mais às suas fazendas de gado.
A empresa se expandia rapidamente e novas linhas de produtos foram incorporadas às existentes. Nessa fase, escritórios e lojas foram comprados, assim como máquinas e computadores. 0s funcionários e vendedores, satisfeitos, comentavam o programa de treinamento e as recompensas por merecimento. Apesar das crise (por que "crise" sempre houve no Brasil) e do pessimismo geral, os negócios iam bem.
Aconteceu há "alguns" anos, mas não esqueci mais. Um dia, quando a aula estava terminando, pedi a Deus que abrisse um buraco no chão para sumir rapidamente. Não queria continuar a ser testemunha da chegada do pai que, irrompendo pela sala como um índio xavante, disse:
- 0 que é isso? O que é isso, estou perguntando.- Um computador.- Para que serve?- 0ra. pai, deixe-me trabalhar. Não vê que facilita o nosso conhecimento do estoque? - Eu nunca precisei disso para dirigir a empresa. Você gastou o MEU dinheiro para comprar essa porcaria!
Fiz um esforço hercúleo para fingir que não estava vendo nada, mas a imagem da descompostura paterna, motivada por despeito, não saiu mais das minhas retinas.
Consultora,
Treinamento/ Desenvolvimento Comportamental. Autora de "Como se Livrar de Um Executivo Incômodo" * Administradora de Empresas |