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Pobres Executivos Estressados E Sem Tempo Você liga uma, duas, quatro vezes. Não consegue uma simples resposta, quanto mais uma reunião. A falta de atenção é total. Ora é a telefonista que não sabe o nome completo do Presidente ("agora você_ me pegou!"), ou a secretária que atende simultaneamente quatro gerentes, oito engenheiros e cinco telefones e não tem condição de dar uma resposta prontamente.
Há outras situações, também padronizadas e impessoais. Os vigilantes, na porta das fábricas, recebem ordens: "Dr.Álvaro está viajando" (este, jamais é encontrado). Em outras empresas, as recepcionistas dizem a mesma coisa. O correio, coitado, é sempre culpado; para não perder tempo, procurando, costuma-se dizer que a correspondência foi extraviada e pedir um fax que, obviamente, não será respondido. A verdade salta aos olhos: a chefia se esconde para não perder tempo com prováveis "chatos".
0 que é isso? Brincadeira de gato e rato? Para se esquivar de uma resposta, uma executiva marcou uma reunião para dentro de ... dois meses. Quando o dia fatal chegou, não conseguiu fugir: a secretária estava ausente em licença maternidade e faltava “um escudo” por perto. Disse, então, que não havia interesse em conversar, já que a empresa fora vendida etc. A princípio, fiquei indignada, mas depois me lembrei que cortesia e eficiências são adquiridas... pelos interessados.
Dentro da mesma ótica de “empurrar com a barriga”, o diretor comercial de uma metalúrgica confessou (não na igreja) que já sabia, há três meses, mas não podia dizer, que a empresa era concordatária. 0ra, podendo escolher, prefiro a franqueza; Desculpas aceitáveis certamente são melhores do que paroles educadas mas mentirosas.
E a indústria de gases medicinais onde já fui recebida por diretores? Fiz um bom trabalho, mas recentemente, o novo diretor mandou a secretária me passar para um Gerente, que mandou a encarregada de não sei o quê_ me receber. Desci de nível? Sim, como forma que os executivos encontraram de se livrar de mim.
As reuniões são outra variante da crônica falta de tempo. Será que Dr. Francis dormiu no escritório? Imagino que sim, pôr que ontem, às 4 estava numa reunião. Idem às 7 e hoje, logo de manhã, quando os funcionários estavam chegando, ele já se encontrava "a postos" numa reunião de diretoria.
Será que essas reuniões resolvem os assuntos pendentes ou servem para diluir as responsabilidade de cada departamento? Numa empresa pequena, os sócios divergem quase sempre, mas acabam chegando a uma conclusão, mesmo que seja a ruptura total e definitiva. E nas grandes empresas, há consenso depois das brigas (desculpe, discussões)? Se as discussões em grupo são imprescindíveis, deveriam ser mais objetivas, evitando se prolongar dentro da noite, além do horário do cafezinho e da paciência e motivação de cada um.
Conheço executivos que, efetivamente, dormem ou já dormiram no sofá do escritório. São impulsionados pelo receio de estarem ausentes na hora das decisões, quando as cabeças dos engenheiros e executivos rolam, apesar da experiência, lealdade e anos de serviço. Nas crises, constantes no Brasil, as diretorias procuram evitar, mas cortarão postos de trabalho se assim for necessário. Por medo de perder o emprego, insegurança e preocupação com a família, os executivos são estressados e têm problemas de saúde.
Há o outro lado da moeda: geralmente os gerentes e diretores simplesmente não dispõem de tempo para receber pessoas "de fora". É quando o trabalho das secretárias mais aparece. Elas filtram as informações e solicitações de entrevistas, enfrentam e afastam os insistentes e organizam a agenda do chefe. Há o outro lado da moeda, visto pela ótica do diretor de recursos humanos que se queixa de não ter tempo para atender a todos os pedidos desesperados das consultorias e agências de emprego, empresas de assistência médica, ticket refeição, turismo, vale transporte, segurança e pessoal temporário.
0s executivos gostariam de visitar os seus pares e também, conhecer melhor os problemas dos outros departamentos. Mas ... o seu tempo é escasso. Às vezes, eles ocupam duas posições simultaneamente. Trabalham por prioridades, procurando resolver os assuntos urgentes. Não apagam o incêndio, mas a explosão. Por isso, embora trabalhem além do expediente normal, muitos executivos e empresários transmitem uma impressão de descaso e falta de atenção. Sugiro que aloquem duas horas por semana para pesquisar, conversar com os funcionários e ouvir outras opiniões. Talvez apareça alguém, quem sabe, com boas idéias para um bom negócio!
Consultora,
Treinamento/ Desenvolvimento Comportamental. |