Lilly Paes Barreto

Pobres Executivos Estressados E Sem Tempo

Você  liga uma, duas, quatro vezes. Não consegue uma simples resposta, quanto mais uma reunião. A falta de atenção é total. Ora é a telefonista que não sabe o nome completo do Presidente ("agora você_ me pegou!"), ou a secretária que atende simultaneamente quatro gerentes, oito engenheiros e cinco telefones e não tem condição de dar uma resposta prontamente.

 

Há outras situações, também  padronizadas e impessoais. Os vigilantes, na porta das fábricas, recebem ordens: "Dr.Álvaro está viajando" (este, jamais é encontrado). Em outras empre­sas, as recepcionistas dizem a mesma coisa. O correio, coitado, é sem­pre culpado; para não perder tempo, procurando, costuma-se dizer que a correspondência foi extraviada e pedir um fax que, obviamente, não será respondido.  A verdade salta aos olhos: a chefia se esconde para não perder tempo com prováveis "chatos".

 

0 que é isso? Brincadeira de gato e rato? Para se esquivar de uma resposta, uma  executiva marcou uma reunião para dentro de ... dois meses.  Quando o dia fatal chegou, não conseguiu fugir: a secretária estava ausente em licença  maternidade e faltava “um escudo” por perto.  Disse, então, que não havia interesse em conversar, já que a empresa fora vendida etc. A princípio, fiquei indignada,  mas depois me lembrei que cortesia e eficiências são adquiridas... pelos interessados. 

 

Dentro da mesma ótica de “empurrar com a barriga”, o diretor comercial de uma metalúrgica confessou (não na igreja) que já sabia, há três meses, mas não podia dizer, que a empresa era concordatária. 0ra, podendo escolher, prefiro a franqueza; Desculpas aceitáveis certamente são melhores do que paroles educadas mas mentirosas.

 

E a indústria de gases medicinais onde já fui recebida por diretores? Fiz um bom trabalho, mas recentemente, o novo diretor mandou a secretária me passar para um Gerente, que mandou a encarre­gada de não sei o quê_ me receber. Desci de nível? Sim, como forma que os executivos encontraram de  se livrar de mim.

 

As reuniões são outra variante da crônica falta de tempo. Será que Dr. Francis   dormiu no escritório? Imagino que sim, pôr que ontem, às 4 estava numa reunião. Idem  às  7 e hoje, logo de manhã, quando os funcionários estavam che­gando, ele já  se encontrava  "a postos" numa reunião de dire­toria.

 

Será  que essas reuniões resolvem os assuntos pendentes ou servem para diluir as responsabilidade de cada departa­mento? Numa empresa pequena, os sócios divergem quase sem­pre, mas acabam chegando a uma conclusão, mesmo que seja a  ruptura total e definitiva.  E nas grandes em­presas, há consenso depois das brigas (desculpe, discussões)?  Se as discussões em grupo são imprescindíveis,  deveriam ser mais objetivas, evitando se prolongar dentro da noite, além do horário do cafezinho e da paciência e motivação de cada um.

 

Conheço executivos que, efetivamente, dormem ou já dormiram no sofá do escritório. São impulsionados  pelo receio de es­tarem ausentes na hora das decisões, quando as cabeças dos engenheiros e executivos rolam, apesar da experiência, leal­dade e anos de serviço. Nas crises, constantes no Brasil, as diretorias procuram evitar,  mas cortarão postos de trabalho se assim for necessário. Por  medo de perder o emprego, insegurança e preocupação com a família, os executivos são estressados e têm problemas de saúde.

 

Há o outro lado da moeda: geralmente os gerentes e diretores simplesmente não dispõem de tempo para receber  pessoas "de fora". É quando o trabalho das secretárias mais aparece. Elas filtram as informações e solicitações de entrevistas, enfrentam e afastam os insistentes e organizam a agenda do chefe. Há o

outro lado da moeda, visto pela ótica do diretor de recursos humanos que se

queixa de não ter tempo para atender a todos os pedidos desesperados das consultorias e agências de emprego, empresas de assistência médica, ticket refeição, turismo, vale transporte, segurança e pessoal temporário.

 

0s executivos gostariam de visitar os seus pares e também, conhecer melhor os problemas dos outros departamentos. Mas ... o seu tempo é escasso.  Às vezes, eles ocupam duas posições simultaneamente. Trabalham  por  prioridades,  procurando re­solver os assuntos urgentes. Não apagam o incêndio, mas a explosão. Por isso, embora trabalhem além do expediente nor­mal, muitos executivos e empresários transmitem uma impressão de descaso e falta de atenção. Sugiro que aloquem  duas horas por semana para pesquisar, conversar com os funcionários e ouvir  outras opiniões. Talvez apareça alguém, quem sabe, com boas idéias para um bom negócio!

 

 lillyleonie@terra.com.br

www.lillypaesbarreto.com.br

Consultora, Treinamento/ Desenvolvimento Comportamental.

Autora de "Como se Livrar de Um Executivo Incômodo" 

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