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Rostos Na Multidão Um dia, Jacques Cousinet, que na época era Gerente de 0perações de uma construtora, pediu que a minha consultoria fizesse um contato discreto e marcasse uma reunião com uma programadora visual, sua conhecida. Havia uma vaga na empresa e ele achava que a moça preenchia os requisitos. Ao nos contatar, o gerente avaliou que anúncios seriam dispensáveis já que tinha em mente a pessoa certa. A discrição era por conta do ciúme que os colegas costumam sentir, especialmente dos novos contratados. Era uma boa oportunidade, ainda mais que emprego, que é bom, é sempre um ponto de interrogação. Liguei uma, duas, três vezes para a casa da eventual candidata. Deixei recado com o marido, que se identificou como 0ficial de Marinha. A quarta vez, que jurei, mentalmente, que seria a última, ouvi um recado curto e grosso do marido (sempre ele): "Não telefone mais, pois a minha mulher não é daquelas". Tenho raciocínio lento, reconheço, mas finalmente entendi. Ele devia achar que estava falando com uma (1) lésbica, (2) cafetina ou talvez (3) companheira de programas picantes. Cheguei à conclusão que o tal oficial devia ser grosso por natureza ou, então, ciumentíssimo. Quem sabe, talvez fosse a encarnação de um daqueles machões de outrora que não toleravam saias curtas e decotes (da própria mulher, é claro ). Eu, hein, encontra-se cada complexado! Já a experiência seguinte foi diferente, mas também interessante. Marquei uma segunda visita a um banco de grande porte. Como a gerente ausentara-se repentinamente, fui recebida por uma psicóloga que me explicou que "preferia ouvir do que falar". Jovem, de boa aparência, tinha um ar de gazela assustada. No princípio, não entendeu o objetivo da visita. Na certa, não recebera nenhuma orientação sobre como lidar com o público. Anotou as informações sobre a minha consultoria, de forma cortês e contida, sem comentários, discreta até enjoar. Consegui saber que trabalhava no Banco há três anos, colaborando na implantação de um programa de treinamento e desenvolvimento de pessoal. Não disse mais nada; decerto estava elaborando mentalmente o seu relatório para, num passe de mágica, com palavras precisas, me enquadrar no perfil psicológico que havia estudado na faculdade. Ao me despedir, pedi o seu nome. Não quis me dar. Disse que não era importante, pois "fazia parte de uma equipe de trabalho". Juntamente com o cartão de visita, apresentei minhas credenciais (estado civil, residência, formação), esperando, em contrapartida, pelo menos seu nome completo. Depois de muita insistência, consegui saber o seu primeiro nome - Solange. Cinco minutos depois, quando estava no corredor, aborrecida e pronta para sair, a psicóloga me chamou para mostrar a porta de saída do labirinto onde nos encontrávamos (oh, escritório complicado!). Fiquei na dúvida; a gentileza era normal, destinava-se a desfazer uma má impressão ou tinha o objetivo de evitar que a visita fizesse algum comentário inapropriado com o segurança ? Saí com a impressão de ter falado com a insegurança em pessoa. Por timidez, excesso de zelo ou sei lá mais o quê, pessoas como a Solange e a programadora visual de que já falei desaparecem na multidão e seus rostos são rapidamente esquecidos. Gostoso é quando o tempo passa, as pessoas não são vistas por muito tempo e de repente, ao telefonar, o interlocutor diz. sabiamente: "E claro que me lembro de você. Como poderia esquecer a sua fisionomia?" Pode ser uma mentira convencional para agradar, mas que faz um bem enorme ao ego, isso certamente faz. (x) Headhunter. Palestrante de Treinamento/Conscientização Comportamental, autora de ”Como Se Livrar de Um Executivo Incômodo” lillyleonie@terra.com.br |