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Um Desconhecido Atualmente, reside nos Estados Unidos, mais precisamente no Texas. É casado com uma americana e tem três filhos. Agora que conseguiu o tão almejado green card, não quer outra vida. Só vem ao Brasil, esporadicamente, para rever a família, espalhada por diversos Estados. Quando morava no Rio de Janeiro, embora considerado uma “fera” na área de marketing, tinha dificuldade em se firmar nas empresas por que, dinâmico e empreendedor, pensava sempre em novos negócios e se envolvia demais nas negociações. Dava a impressão de que cobiçava o lugar do chefe, por que, em seu lugar, certamente faria melhor.
0 nome dele era Ricardo Leonetti, mas eu o tratava sempre
por “Ricardo Coração de Leão” por que, apesar de baixa estatura,
tornava-se um gigante quando entrava numa concorrência, discutia preços e
conquistava novos clientes. Ah sim, se achava que o departamento de
produção, por exemplo, tinha falhas, não hesitava em tentar resolver os
problemas, ele sozinho. Uma vez, apresentei seu currículo a uma empresa brasileira. Sabia que a diretoria precisava de um Gerente para Novos Negócios achei que o Ricardo preenchia todos os requisitos. 0 currículo foi aceito. Fui informada que a entrevista seria marcada para dentro de duas semanas, quando o diretor voltaria de uma viagem ao exterior. Fiquei aguardando. Dias depois, visitei aquela empresa para tratar de outros assuntos. Na sala de espera, que, na verdade, era um corredor, não havia quadros para descansar os olhos e, muito menos, revistas para folhear.
Ao meu lado, fumando cachimbo - característica de pessoas tranquilas - estava um senhor sério, de óculos, que também esperava o convite para entrar. Parecia estrangeiro. Certamente falava mal o português. Começamos a conversar:
É difícil esperar aqui, nessa poltrona dura Concordo, também me sinto pouco a vontade. É diferente em outras empresas, especialmente nas multinacionais, onde há mais conforto e adequação do mobiliário à importância que se quer transmitir. - É verdade. Aliás a minha mulher é americana, Está no Brasil desde que nos casamos, há 12 anos. É professora e ensina inglês numa escola de idiomas em Ipanema.
Interessante! E como ela vê a vida dos professores brasileiros, que
ganham salários baixos, não tem perspectivas e são desprestigiados até
pelos próprios alunos? E a conversa prosseguiu nesse tom. Eu, “caçando ” um novo executivo e ele, provavelmente, se deliciando com as minhas perguntas por que sabia a verdadeira intenção das palavras. Foi quando me chamaram, finalmente, para conversar com o diretor. Ao voltar para o escritório, pensei nos compromissos daquela semana, inclusive que no sábado, dois dias depois, meu marido e eu íriamos para um drink na casa do Richard, no alto Leblon . Por associação de idéias, visualizei o próprio e, que susto, descobri que o meu interessante interlocutor era o próprio “Coração de Leão” que resolvera investigar, por conta própria, a empresa onde TALVEZ fosse trabalhar. Parece incrível, mas ele sabia o meu nome desde o inicio da conversa. Pensou que eu estivesse representando e não disse nada “ para não atrapalhar”.
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