Lilly Paes Barreto (x)

Yo No Creo en Brujas, Pero que Las Hay 

0s  negócios costumam ser conduzidos abertamente, com os parceiros jogando limpo, mas há  muitos casos em que alguém, para ter lucro rápido e sem dor de cabeça, prefere imitar - é mais fácil e tentador do que arriscar soluções  inteligentes, mas  inoperantes. Para muitos, copiar, usar idéias alheias e plagiar, silenciosamente, é  mais proveitoso do que  passar pelo árduo e sofrido processo de criar. Aliás, todos nós já colamos inúmeras vezes na escola, não é? Só que a maioria, por ter amadurecido ou talvez pela lembrança  terrível de ter sido flagrado colando, não recorre mais a esse estrategema.

Dificuldades em fechar um negocio? Situações que permanecem indefinidas por longo tempo? Funcionários “já  contratados”  às  … 8:00 de segunda-feira quando o anúncio saiu no domingo? Ou concursos que exigem inscrições caras, com fotografias, currículos e documentos  mas que não resultam em absolutamente nada? Pensando bem, acho que o único objetivo em realizar um novo concurso é financeiro. Afinal, um dinheiro extra é sempre bom, especialmenmte quando independe da aprovação de verbas federais ou estaduais. Quanto sos currículos e notas dos candidatos aprovados, que coisa, deixemos tudo dormir na poeira dos arquivos.  

Um dia, um de meus sócios conversou pessoalmente com o Presidente de uma indústria de derivados de plásticos localizada em Manaus. Por ser um executivo dinâmico e decidido, tomou rapidamente uma decisão. Resolveu contratar a nossa consultoria, já  que estava  procurando    meses,  sem sucesso, um engenheiro com experiência de fabricação de produtos de plásticos, bons conhecimentos de polietileno e vivência no exterior.

0ra, se o Presidente da empresa decidiu assim, o caminho era esse. Ledo engano! Convocado para sacramentar o acordo, o Diretor de Relações Industriais sussurrou alguma coisa misteriosa no ouvido do chefe, que imediatamente cancelou tudo, falando vagamente em “outros compromissos”. Pode ter sido verdade, quem sabe, talvez o serviço secreto da empresa descobriu um segredo extremamente relevante sobre a consultoria. Contudo, o  certo é que houve acordos informais, de  interesse mútuo, beneficiando outras parcerias. É, devemos estar preparados para “surpresas”.

Pode-se confiar nas pessoas? Depende. Recebi a visita de um colega administrador que não via há  muito tempo. Conversamos um pouco, no escritório, antes de  almoçar. Foi quando recebi um telefonema de Vitoria, com uma preciosa sugestão. Eu deveria contatar  uma determinada pessoa que estava em vias de demitir um  executivo e precisava dos serviços de uma consultoria discreta, que fizesse um  trabalho urgente de outplacement.

0  assunto era sigiloso. Não me traí, para não prejudicar a pessoa que estava me passando uma informação. Também, tinha uma visita na frente que me olhava   fixamente. Anotei cuidadosamente o endereço e telefone. Foi o suficiente para que a visita, lendo ao contrário, comentasse, sem vacilar, que sabia de quem se tratava. Como? Pela minha  imprudência de ter  comentado, no telefone, que a conversa “de aquecimento”, naquela empresa, seria facilitada por que o executivo  gostava de fazer safáris na África.

Antigamente, era  um bom negocio ter um único cliente, principalmente se  fosse o governo. As negociações  eram de alto nível, as faturas eram pagas em dia e tudo  corria bem. Hoje, com tantas dificuldades, os negócios são mais complicados e incertos; é preciso correr atrás, enfrentar a concorrência, melhorar a qualidade do produto e, certamente, conseguir mais clientes.

Isso me lembra o momento tenso em que foram abertas as propostas daquela concorrência de material elétrico. Silêncio total  no recinto! As pessoas pensavam: “Quem vai ganhar? Poderia ser a minha firma. Somos pequenos, mas trabalhamos melhor do que os gigantes do mercado”. O resultado foi o de sempre.  Não ganhara a empresa que  tinha apresentando as melhores condições. 0 ganhador fôra praticamente “o de sempre”- a empresa cujos donos tinham um relacionamento pessoal com a direção da concorrência.

E  aquele caso de  demissão sumária do Diretor de Planejamento e Controle? Tudo estava pronto para o desfecho final: o substituto escolhido, as novas funções delineadas (seria uma fusão de dois departamentos), as contas de desligamento  feitas. O que aconteceu? Nada, pois nada mudou! Será que aquele executivo, embora  desprestigiado, conseguiu fechar bons negócios e o Conselho de Administração, constrangido,  vetou a sua demissão? Que tolice. Simplesmente as boas amizades prevaleceram. Ao compartilhar de um excelente jantar, na residência de um amigo comum, o  tio do alto executivo lamentou a tristeza do sobrinho e “chorou” no ombro compreensivo de seu companheiro de brincadeiras de infância - hoje,  Presidente da empresa.

Se tivéssemos casas de apostas como as londrinas, onde se aposta tudo, ganharia de 1000 a 1 de que corre dinheiro em baixo do pano ou, se quiserem, há sempre interesses em jogo em cada situação  política ou de negócios, aparentemente clara e linear. Um “jeitinho” transforma tudo: o que era impossível ontem, hoje é realizável. As janelas emperradas se  abrem, milagrosa e repentinamente, de par em par. “Tudo bem”, diz o político, “desde que o beneficiário seja eu e os meus

(x) lillyleonie@terra.com.br 

Consultora, Treinamento/desenvolvimento Comportamental. 

Autora de “Como Se Livrar de Um Executivo Incômodo”

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