
Livro
Aquarela em Poesia
de Vânia Diniz & Vania Serra
Prefácio
O que poderia ter surgido a partir de uma brincadeira de pingue-pongue ficou sério, ganhou corpo, cérebro, coração e tornou-se um ser pulsante.
Duas mulheres passam sentimentos em revista, trocam confidências, admitem fraquezas e assim fortalecem sua identidade. Assumem culpas, permitem-se desejos, gozo, prazer e buscam verdades na nudez de seus sentimentos e instintos.
Aceitei o desafio de prefaciar poemas de minha mãe (Vania) como se fosse missão simples. Quisera fosse! Ao percorrer seus versos, deparei-me com a delicadeza, a fragilidade, a extrema sensibilidade e com sentimentos de contemplação, nostalgia e tristeza pulsante, a tal ponto que confesso não ter conseguido conter as lágrimas, ainda persistentes ao escrever esta apresentação.
Mas não só a tristeza é digna de atenção neste livro. Prevalece, em ambas as Vanias, a essência do amor, da troca, do dar-se – algumas vezes mais constante e forte do que o receber -, e o sonhar, tão importante na vida dos poetas e de todos os que se dão ao luxo de falar do que sentem.
O ser, a Aquarela criada a partir do diálogo proposto pelas poetas, reflete a paleta de cores por que se passa no decorrer da existência humana. As fases da vida, as estações do ano, o tempo, os momentos marcantes, desde o despertar do amor, o irromper e o amadurecimento da sexualidade, a passagem pela separação, a decepção ou a desilusão, ao momento em que se prepara para a grande despedida. Impossível não se identificar com alguma das passagens.
Vânia e Vania, uma com acento, outra sem. Trajetórias de vidas distintas, com alguns pontos em comum – o viver longe de sua terra, o olhar lírico, o coração que não cabe em si, o brilho no olhar, o amor pulsando nas veias, generosidade, em suma, doce ou ousada sensibilidade à flor da pele.
Por mais que se tente interpretar, a poesia é como um quadro: pode-se descrevê-lo a partir do que se sente ao mirá-lo, observar suas cores, sombras, estilo, mas toda forma de arte é única e reflete traços da alma de quem o cria. Poucos conseguem descrever os sentimentos da mesma forma com que os vivem. Vânia e Vania o fazem de modo especial e as felicito e agradeço pelas emoções que suscitaram em mim.
Marília Serra, jornalista.