ENTREVISTAS ANTERIORES

                          
Vânia Moreira Diniz e Luiz Alberto Machado
entrevistam  
Dra Lou de Oliver
Psicopedagoga e Multiterapeuta

  Lou de Olivier

1-Como a arte chegou até Lou de Olivier?

R-De várias maneiras e formas: Assim que aprendi a andar já me interessei em dançar. Minha mãe sempre comentava que, em meu aniversário de um ano, dancei a noite toda e chorei muito quando o último convidado saiu, já de madrugada, o som foi desligado e, claro, a festa acabou. Aos três anos passei a fazer aulas de canto e dança. Apresentava-me em vários programas de tv e até em circos. Gravei um vinil e tinha tudo para fazer muito sucesso, mas meu pai " super coruja", comprou o estoque todo e não deixou ir às lojas. Ele dizia que era para eu distribuir aos amigos quando eu fosse mais velha... Disseram-me que ele comprou esse estoque em "sociedade" com meu padrinho, mas nunca tirei isso à limpo (risos).

Bem, continuei fazendo dança (clássico, moderno, jazz, afrojazz, flamenco) e iniciei estudos em piano clássico. Aos 16 anos, sofri uma anoxia por afogamento, fiquei um ano e meio desmemoriada sem receber nenhum diagnóstico, aconselharam-me a fazer teatro para recuperar a memória. Vi que, numa peça teatral era possível ligar todas as modalidades de arte que eu já conhecia (dança, música, canto, etc.) Apaixonei-me pelo teatro e até fiz faculdade na área (Educação Artística e Bacharelado em Artes Cênicas). Durante o Bacharelado conheci a Musicoterapia e comecei a dividir-me entre a arte e a terapia... Segui dividida entre as áreas. Atualmente faço dança-do-ventre por hobby...

2- Você é mestre em Ciências Humanas e pós-graduada em Psicopedagogia. Inclusive é autora de vários livros, dentre eles, "A escola produtiva" e "Problemas de Aprendizagem na Pré-Escola". Neste tocante, como você vê a educação no Brasil em plena vigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei 9394/96?

R-Essa é uma lei maravilhosa na teoria, mas totalmente utópica na realidade. E tem tanta distância entre o que está escrito e o que está aplicado que eu ficaria horas comentando sem concluir. Meus livros foram escritos justamente diante dessa lacuna que, de modo geral, existe na educação. E, quando digo educação, digo como um todo. Educação não é feita somente na escola. Mas, resumindo, a educação de forma geral precisa ser revista na prática. Não adianta falar (ou escrever) inúmeras regras se, na prática, elas não podem ser aplicadas.

3-A que você atribui os problemas de aprendizagem da criança brasileira?

R-Inúmeros fatores que vão desde desnutrição da criança até despreparo dos professores e inadequação do Sistema.

4- A seu ver as propostas oriundas de Piaget, Vygotsky e de toda corrente da Emília Guerrero tem sido importante para o melhor desenvolvimento do processo pedagógico e aprendizagem das crianças brasileiras?

R-Eu conheço um pouco do que diz "Emilia Ferreiro", não sei se estamos falando da mesma pessoa. Mas, seja quem for, tenho uma visão muito particular dessas propostas. São teorias já antigas, elaboradas através de pesquisas em outros países e que não costumam apresentar grandes resultados no Brasil. A tentativa de definição de "Psicopedagogia" e " Dislexia" contida num dos livros de Emília Ferreiro, por exemplo, é totalmente descabida. Vejo o Brasil como um país que se acha incapaz de compor seus próprios métodos a partir de profissionais brasileiros. Eu mesma acabei sendo conhecida e respeitada no exterior mas, no Brasil, quase ninguém desconfia da minha existência. Como eu, muitos bons profissionais acabam deixando de pesquisar e publicar e o resultado é o crescimento de métodos obsoletos que não funcionam diante da realidade brasileira. Parece-me que não há uma real vontade de progredir, se houvesse, qualquer faculdade (de Psicopedagogia, Psicologia e/ou Pedagogia) que realmente quisesse orientar seus alunos teria obrigação de incluir meus livros em seu currículo, simplesmente porque mostram todos os sintomas, tratamentos e métodos inovadores em relação aos distúrbios de aprendizagem e de comportamento, além das falhas do Sistema e outros assuntos relevantes. São escritos em Português, a partir de pesquisas feitas no Brasil, por uma brasileira. Mas, essa inclusão nunca ocorre porque parece não haver interesse em orientar de fato. O interesse deve ser em analisar livros antigos, com métodos inúteis que analisam demais e redundantemente o fator psicológico e deixam de lado os outros fatores. O resultado é profissionais e professores desorientados, alunos cada vez mais despreparados. E isso gera a necessidade de freqüentar novos cursos para analisar mais livros obsoletos, assim funciona o círculo vicioso que nunca esclarece totalmente um assunto.

Bem, acho que já falei demais, não acha?

5. Você também é graduada em Artes Cênicas e especializada em Arte Terapia. A seu ver, a educação prescinde da arte ou você defende uma atitude pedagógica que seja desenvolvida através e com a arte?

R-Sem dúvida, é a atitude pedagógica que deve desenvolver-se através, com e pela arte.

6- De que forma o teatro contribui no seu trabalho profissional de psicopedagoga?

R-O teatro usado especificamente como terapia, ligando psicodrama, teatro terapêutico, adaptando métodos exclusivamente teatrais aos métodos terapêuticos que uso, contribui não só para a Psicopedagogia, como para todas as técnicas de terapia (Multiterapia) que uso...

7- Como você desenvolve trabalhos na área de Musicoterapia, de que forma a música pode contribuir para a aprendizagem das crianças?

R-Especializei-me em tratamentos clínicos, portanto uso a Musicoterapia em sua essência para tratar/curar distúrbios diversos. Existe muita diferença entre a Musicoterapia e a Música usada como terapia. Infelizmente, os próprios profissionais da área confundem isso e acabam deturpando tudo. De uma forma simples, a Música pode ser usada para incentivar o aprendizado de várias formas, contando estórias em suas letras, fórmulas matemáticas, enfim, há muitas opções de se ensinar através da música. Mas isso não é Musicoterapia, que envolve muito mais técnicas, fundamentos e responsabilidades do que simplesmente musicar alguma atividade.

8- Agora tratemos da sua literatura. Você, salvo engano, possui uma trilogia: "Aventuras amorosas de Soraya Estrada", "O preço de um sonho" e "Paixão Virtual". Consta que são romances. Fala um pouco dessa experiência de escritora.

R-"O preço de um sonho" e " paixão virtual" são dois romances que compõem o livro " Aventuras amorosas de Soraya Estrada". Não tenho certeza de ter escrito os romances certos... Tenho um lado muito erótico e liberal e isso transparece em meus romances publicados. Não conheço todas as pessoas que leram este meu livro, por isso não sei o que o público achou, mas minha Assessoria de Imprensa acha que esse estilo denigre minha imagem, pois as pessoas esperam que uma "doutora" escreva apenas textos científicos e publicações relevantes e não poesias, contos e outros textos eróticos e realistas... A edição de "Aventuras amorosas de Soraya Estrada" está esgotada. Estou distribuindo aos amigos, somente da área os poucos exemplares restantes. Tenho em CD-ROM " Aventuras inconfessáveis de Soraya Estrada", mas se as " amorosas" já renderam tanta polêmica, imagine as "inconfessáveis". Então também não será mais vendido. Continuo escrevendo contos, crônicas e textos mais românticos, ou de suspense, enfim, outros gêneros. O gênero erótico-realista nunca mais... Devo lembrar que também escrevo peças teatrais, sendo a mais conhecida, "Os alienados" já encenada por todo o Brasil. Essa peça ensina teorias psicológicas, explica fases importantes do desenvolvimento infantil enquanto mostra a realidade brasileira. É uma comédia engraçadíssima que ainda instrui. Além dessa peça, muitas outras entre comédias, dramas psicológicos, textos infanto-juvenis e outros fazem parte da minha experiência como escritora.

9- Você é integrante da REBRA - Rede Brasileira de Escritoras. Como você vê a Literatura Feminina no Brasil?

R-Atualmente começamos a ser mais valorizadas no Brasil e em outros países. E isso se deve ao nosso esforço pessoal e, acima de tudo, a incansável luta da REBRA, da qual sou Conselheira com muito orgulho. Estamos sempre publicando, divulgando, incentivando a Literatura brasileira, inclusive lançaremos nossa segunda antologia brevemente. E nossa luta acaba divulgando a Literatura Feminina Brasileira como um todo, não necessariamente só a das associadas. Isso é importantíssimo porque estamos conseguindo mudar a concepção da Literatura como um todo.

10_ Que projetos você tem em mente desenvolver a partir de agora?

R-Pretendo intensificar palestras pelo Brasil, fortalecer minha parceria com a Rickmarc (Inglaterra), participar ativamente da Bienal, inclusive com textos publicados em duas antologias simultâneas, organizar um grupo de estudos de casos raros que pretendo deixar como base para seguir meus métodos. Também há a possibilidade de lançar meus livros na França e Inglaterra simultaneamente. Tudo isso ainda nesse ano de 2004.

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