Luiz de Aquino Alves Neto

 A Arte Aliada À Esperança

Vários alunos do Lyceu, e um número ainda maior de ex-alunos, referem-se à minha participação um tanto fora do cerimonial quando da homenagem aos ex-alunos, promovida pelos responsáveis pelo evento Casa Cor, centrada nas pessoas do presidente do Banco Central, Henrique Meireles, e do governador Alcides Rodrigues Filho. Grande parte deles exalta o evento, reconhece méritos nos que simbolizaram os ex-alunos.

Já disse, senti falta de Pedro Wilson. Afinal, foi seu pronunciamento na Câmara, em novembro de 2007, o texto escolhido para ilustrar a parede de uma sala de aula, antiga e estilizada. Nesse discurso de Pedro, regozijo-me por encontrar, como intertexto, trechos de meu discurso na sessão solene que a Academia Goiana de Letras realizou no auditório do colégio no transcurso do septuagésimo aniversário do educandário em Goiânia.

Não pergunto muito quando as coisas me parecem óbvias. Refiro-me à iniciativa de se realizar a Casa Cor no velho casarão da Rua 21, sede do nosso Lyceu (veja só, Vander Arantes! Você me venceu, já escrevo com Y). Poderiam, seus organizadores, ter escolhido o Centro Cultural Marieta Teles, na praça Cívica, magnífico exemplar de “art déco”, um dos primeiros edifícios da cidade. Ali, o evento disporia de maior espaço e o resultado seria muito bem aproveitado pela Agência Goiana de Cultura, certamente reduzindo custos. Mas a escolha veio para o Lyceu e isso traz de volta o colégio à mídia.

Para nós, ex-alunos e antigos professores, o momento foi de despertar saudades. Na noite da sexta-feira, dia 22 de maio, a homenagem aos ex-alunos ilustres levou-me até lá. E levou também, como ênfase maior, o professor Egídio Turchi, que, penso eu, é o decano dentre todos os mestres do velho casarão. A poucos meses de completar seus noventa anos de vida, o professor de Matemática e Latim (ele fez questão de contar aos jovens repórteres que o entrevistaram o que era Latim), concedeu entrevistas e muitos dedos de prosa a tantos quantos dele se achegaram, buscando ouvi-lo e, certamente, aprender algo mais.

Naquela noite, repeti o que fiz em novembro de 2007, naquela sessão da AGL no Lyceu: compareci uniformizado. Não com calça “blu dins” e camiseta, mas com a calça cáqui e camisa branca, a águia símbolo pintada no bolso, lado esquerdo do peito. Com isso, surpreendi os presentes, inclusive o governador e o presidente do Banco Central – mas o professor Egídio lembrou que o uniforme já foi “uma farda” (era comum, até os anos de 1950, os uniformes colegiais repetirem as roupagens militares).

Meu uniforme despertou curiosidades. Os colegas fotógrafos,  parece, gostaram da coisa, tantos foram os flashes. Posei com Henrique Meireles, Alcides Rodrigues e com a secretária Milca Severino, da Educação. E, inevitavelmente, com Dóris Costa, assessora de imprensa que realiza com emoção e competência seu ofício.

Nas andanças entre projetos e objetos, inovações surpreendentes e peças dos nossos sonhos de consumo, esbarro com alguns amigos, arquitetos e engenheiros, professores e historiadores. Uma preocupação: o velho prédio voltará ao que era antes? Afinal, ele tem de ser tratado, sempre, como uma relíquia patrimonial, arquitetônica e histórica. Alguém esclarece que o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico, o IPHAN, não apenas está vigilante, mas também orienta a realização daquela mostra.

Em suma, fiquei feliz pelo reencontro com velhos amigos, pela ênfase que se deu ao meu querido colégio. E, sem disfarçar, lanço o olhar para o futuro próximo – o meu, o do Lyceu e o da Casa Cor.

Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras, e escreve aos domingos neste espaço (poetaluizdeaquino@gmail.com)

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