Luiz de Aquino Alves Neto

  A Fotografia Na História

          O jornalista Edmar Oliveira envia-me, pelo correio eletrônico, uma série de fotos históricas: começa com a primeira fotografia, de Nicéphore Niépce, obtida após oito horas e vinte minutos, e se fecha com uma pr... (quase escrevo "prosaica"; mas seria uma prosa poética, certamente); corrijo: uma poética orquídea com a legenda "Lilith 2007".

Habituamo-nos, ao menos os da minha geração e a dos meus filhos mais velhos, na casa dos 35/40 anos, às figuras desenhadas dos ícones da História, desde a antiguidade clássica da Grécia, dos medas e persas, dos mesopotâmios, antigos egípcios, romanos etc. até os meados do Século XIX. Platão é uma figura concebida por algum artista (em que época? Certamente, quando a indústria gráfica ganhou avanços, justamente no Século XIX), tal como as figuras bíblicas foram idealizadas pelos pintores da Renascença italiana, de modo a dar tipos romanos a mouros e judeus.

A fotografia, porém, é uma técnica estática; em poucas décadas, os mesmos fotógrafos buscavam captar os movimentos e inventaram o cinema (forma abreviada de "cinemática", a parte da mecânica que estuda o movimento dos corpos). Desde então, fotografia e cinema andam muito próximos e, muitas vezes, de mãos dadas. Para nós, jornalistas, ambas as atividades atrelam-se ao processo de documentários, servindo para a comunicação e para o arquivo; portanto, ferramentas indispensáveis a um sem-número de profissões e fundamentais a todo ser humano, que é curioso, além de vaidoso. A vaidade liga-se ao tema pelo prazer que tem a arrasadora maioria dos humanos de ver-se em fotografias e filmes.

De instrumento de documentação, a fotografia e o cinema não demoraram a tornar-se arte. Primeiro, pelo que se pode fazer com o uso da técnica, criando tons e circunstâncias que resultem em visuais inusitados ou agradáveis, coisas essas que se aproximam da alma poética das artes. Em segundo lugar, pela "roupagem" dada à "fotografia em movimento", associando-a à prática teatral. Em poucas décadas, o cinema tornou-se título pra o que se conceitua com "a sétima arte".

Entende-se, pois, que muita coisa aconteceu nos últimos sessenta anos, ou seja, desde o término da II Guerra Mundial. As guerras sempre ensejam um aceleramento surpreendente no campo das invenções e adaptações, tanto no campo da engenharia quanto no da medicina. No após-guerra, e valendo-se dos inventos daquele período bélico, acelerou-se o conjunto de pesquisas no plano da aeronáutica, da física nuclear e, paralelamente, em todos os segmentos das atividades científicas (do Oriente, a miniaturização viria a auxiliar bastante os esforços da conquista do espaço sideral, por exemplo). Vai daí, aquele tal de "cérebro eletrônico" que ocupava um prédio de cinco ou seis andares, compacta-se, hoje, num "palm", um minúsculo aparelho de bolso, com potência milhares de vezes maior.

Todas essas conjecturas (e muito mais; o espaço, aqui, é limitado) vêm-me por conta das fotos que me traz o Edmar. Entre elas, duas antológicas fotos: a do Che Guevara que, hoje, ilustra milhões de camisetas mundo afora e a do jovem estudante chinês que, com uma coragem incomparável, fez pararem os tanques na Praça Vermelha.

Para mim, aquele moço, sim, e não o Che, devia ser o ícone da juventude estudante de todo o mundo após 1990. Sem demérito para o guerrilheiro cubano que libertou Cuba (libertou? Ou trocou o dono do chicote?) e foi assassinado na Bolívia. É que o moço chinês foi além. Ele sabia que não tinha escolha: morreria sob o tanque ou seria fuzilado. Foi fuzilado.

           Ele é o meu símbolo de resistência e coragem.

Luiz de Aquino (Alves Neto)
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