Luiz de Aquino Alves Neto

 Academias E Acadêmicos

Agosto, 2010. Um mês de marcas fortes, como os ventos e, nos rincões sem boa cobertura de vegetação, os redemoinhos que erguem aos céus um cone giratório com muita, muita poeira e dejetos, tal como se vê. Mas as avós do meu tempo infante contavam coisas de horror, como o Saci que viajava nos redemoinhos e induzia crianças às peraltices (ou traquinagens; as avós tinham um vocabulário engraçado...). O Saci costumava, com isso, levar as crianças a situações embaraçosas. Era preciso ter muito cuidado, o melhor a se fazer, quando desses ventos giratórios que manchavam o céu de tons avermelhados, era proteger-se em casa.

As plantas de cerrado estão pálidas, como que tristes. Algumas enviam muito ao fundo as raízes, buscam água para preservar o verde das folhas, mas a poeira teima em tingi-las de ocre. Amarelo de ipê, tons de cores várias de primaveras ponteiam na paisagem. Mas nada de chuva, ainda! O ar, dizem na tevê, contém apenas entre 10% e 15% de umidade.

Peles ressecadas, narinas e olhos ardentes. Mas é sábado e é manhã, pego a estrada. Acompanho o poeta Gabriel nascente, o desembargador e acadêmico Ney Teles de Paula, o jornalista e também membro da Academia Goiana de Letras Hélio Rocha. Em Piracanjuba, os membros da Academia Piracanjubense de Letras e Artes preparam uma recepção carinhosa para o imortal Domício Proença Filho, da Academia Brasileira de Letras. Domício chegou na véspera, veio com a esposa, a professora Rejane Godoy; falou a juristas, no Tribunal de Justiça, e demonstrou, com competência, o indispensável elo entre a literatura e o texto das leis e do ofício das leis.

O imortal Domício foi ciceroneado pelo presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador Paulo Teles. É agradável, para as pessoas das letras, os novos fatos que marcam o nosso Tribunal: eventos literários, exposições de arte e de fotografia, muitas novidades nos campos da informática e do aperfeiçoamento funcional e profissional, novos e expressivos itens de melhoria pessoal dos servidores – essas coisas que se resumem em “qualidade de vida”. O líder de tudo isso é o presidente Paulo Teles, que entusiasma os colaboradores e proporciona, aos magistrados da mais alta corte, com reflexões valiosas em todo o Poder Judiciário, o bem-estar a que fazem jus.

Na terra de Léo Lynce, João Acioli e Ney Teles, a presidente da Academia local, Gláucia Maria da Cunha e Silva Souza, tendo ao lado a presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Piracanjuba  (AFLAP),Sandra Maria Pereira de Araújo, chamou a professora Neidia Maria da Costa, da Escola Serra Negra, na zona rural do município, e os alunos Marcela dos Santos Machado (de oito anos) e Márcio Vinícius Gonçalves Ribeiro (treze anos) para uma apresentação. A menina declamou um belo poema e o garoto contou um “causo” do saudoso Geraldinho de Bela Vista, ambos com excelente desempenho.

Ex-prefeito e presidente da sociedade dos orquidófilos, Wilson Borges, benemérito da APLA, destacou-se entre os conterrâneos, os acadêmicos Pedro de Paula Borges, Marlene Iris Pontes, José Divino Alves, Laeste Antonio de Souza, Valdir Brasil dos Santos e Ney Teles de Paula, além de Marilene Ferreira Alves, Maria de Fátima da Silva Marçal e Zuléia Maria da Silva (da Academia Feminina). Foi Wilson o líder político que, atendendo aos apelos dos intelectuais da cidade, concedeu à Academia a sede definitiva, possibilitando, desde então, o seu crescimento, o seu constante papel no processo de aprimoramento da vida intelectual de Piracanjuba. Um exemplo a ser seguido, é certo!

Na véspera, tal como informei neste espaço na semana passada, também a Academia de Letras e Artes de Caldas Novas promoveu um momento festivo. Um grande evento para registrar o vigésimo aniversário, com homenagens especiais a dois dos decanos da entidade: Israel de Aquino Alves (meu pai) e Maria Isabel de Albuquerque Lima.

Também os membros-fundadores da entidade, hoje em número restrito, foram agraciados com uma placa. A escritora e acadêmica Marília Núbile, de atuante participação no esforço de restauração da ALACAN, disse-me ter sido, sem dúvida, uma das mais belas festas já realizadas em Caldas Novas. O evento teve o apoio da Câmara Municipal, mas de minha parte devo dizer que, do Poder Executivo, somente Antônio Sanches, prefeito à época da fundação, foi o único a enxergar algum valor na iniciativa, ao contrário do que se vê em Piracanjuba.

Impor-se no cenário de Caldas Novas é um desafio para o presidente atual, o acadêmico Francisco Albery Mariano, e os idealistas Marília Núbile Barros e Alejandro Mejia. Nós, os remanescentes das primeiras iniciativas, sentimo-nos derrotados pelos que, convidados mas desprovidos do espírito das artes, decidiram por usar um nome e uma marca apenas para compor currículos.

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Luiz de Aquino é escritor, membro da Academia Goiana de Letras. Escreve aos domingos neste espaço. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com. Blog: http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com.

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