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“Ad immortalitatem” Em raros momentos a Academia Goiana de Letras está com todas as cadeiras ocupadas, como, também, qualquer Academia, que elas vêm a ser clubes fechados e com quadro vitalício, ou seja, uma vez eleito e empossado, ninguém se desliga, nem pode ser excluído. Assim sendo, um número máximo de 39 votantes elege um candidato. E por seguirem o modo da Academia Francesa, criada em 1635 por Richelieu, as academias de letras só têm quarenta membros. Poucos sabem, mas a Academia Francesa esteve fechada por dez anos (1793/1803), sendo reaberta por Napoleão (ou seja: o sanguinário imperador tinha seus pendores pela cultura). E a Academia Francesa vem a ser a mais antiga das cinco instituições que constituem o Instituto da França: “As academias incluídas no Institut de France são: a Académie Française, fundada em 1635; a Académie des Inscriptions et Belles-Lettres, fundada em 1663; a Académie des Sciences, fundada em 1666; a Académie des Beaux-Arts, fundada em 1816; e a Académie des Sciences Morales et Politiques, fundada em 1795” – informa o site Wikipédia (http://pt.wikipedia.org). A Academia Brasileira de Letras é o padrão que academias de cada Estado brasileiro seguem. Por serem clubes fechados, costumam ser alvo de críticos que as vêem como elas não são, ou seja, supõem-nas atreladas ao poder público e até mesmo a instituições de cunho religioso, o que não se sustenta. A admissão de novo membro se dá, como disse linhas acima, por eleição direta dos membros efetivos, que se baseiam em critérios que vão da autoria de livro, conjunto de obras e conhecimentos nas atividades culturais (mais especificamente no que se refere a letras) e relações pessoais do pretendente com os votantes. Equívocos acontecem: a ABL elegeu Getúlio Vargas e andou perto de eleger JK (que foi derrotado pelo goiano Bernardo Elis). Em Goiás, fez-se membro efetivo fundador, sem que o próprio o quisesse, Pedro Ludovico Teixeira, interventor por 15 anos (justamente o tempo de Vargas no poder, ou seja, de 1930 a 45). Consta que Pedro aceitou sua inclusão como homenagem, mas teria declarado que não participaria do sodalício por não se incluir como (palavras dele) “beletrista”. Cumpriu a promessa. Daqui a poucas semanas, em data a ser marcada pelo presidente em exercício, Luiz Augusto Sampaio (Modesto Gomes encontra-se hospitalizado), acontecerá a eleição para a Cadeira 27 da AGL. Disputam-na a historiadora Lena Castelo Branco e o poeta Emílo Vieira, que me aponta como “lançador” de sua candidatura (sim, antes que ele se manifestasse, lancei seu nome neste espaço de crônicas). Gostarei muito de ter o poeta Emílio Vieira entre nós, tal como, agora, empenho-me em apoiar meu conterrâneo caldas-novense Delermando Vieira, que se apresenta candidato à vaga do meu amigo José Luiz Bittencourt. Delermando tem uma disputa acirrada, antevejo eu. É que já fui contactado por dois outros valorosos intelectuais: o jurista e lente acadêmico Licínio Leal Barbosa e o ativista cultural Filadelfo Borges (jataiense, residente em Rio Verde, fundador da Academia Rio-verdense de Letras, Artes e Ofício; este, pelo que consta, tem apoio do acadêmico José Mendonça Teles). A ambos expressei meu apoio a Delermando Vieira, compromisso esse que se arrasta há alguns anos, pois o poeta declinou várias vezes de seu pleito em favor de outros pretendentes. Logo, penso eu, este momento é dele. Reconheço, tanto em Filadelfo quanto em Licínio, competência e qualidades outras que bem os credenciam, mas a escolha se dá, para cada votante, sobre um nome, apenas. De bom, nessas eleições, destaca-se o interesse de intelectuais valorosos. Da professora Lena, sei que integra a Academia Feminina de Letras e Artes e o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Licínio faz parte da Academia de Letras Maçônicas, e suponho que também Filadelfo. E agora, constatando que a participação no complexo Instituto da França se dá em cinco instituições sólidas, seculares e de criteriosíssimo processo seletivo, imagino que, se integrássemos as instituições fechadas das atividades intelectuais sob um só guarda-chuva, não seria necessário acolher na Academia Goiana de Letras membros de outras instituições do mesmo gabarito – e vice-versa. Meus votos, pois, para as duas vagas, são para os poetas Emílio Vieira e Delermando Vieira (que não são parentes). Luiz de Aquino é escritor, membro da Academia Goiana de Letras. Email: poetaluizdeaquino@gmail.com |