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Ageu Cavalcante Me Fala Das Ruas Recebi, do meu sempre vereador Ageu Cavalcante (velho amigo), e-mail sobre minha crônica de quinta-feira, 22 de janeiro: "Meu caro Poeta, lendo seu artigo de hoje no DM "De vultos e vulgo, também", cumprimento-o pelo mesmo e tenho alguns esclarecimentos a fazer. Em 1990, por ocasião da elaboração da Lei Orgânica do Município de Goiânia, fui o autor da emenda que hoje é o art. l65 da nossa constituição municipal, que diz: "Art 165 - Fica proibida alteração de nomes de vias e logradouros públicos já existentes, exceto quando esta alteração se destinar a restituir a primitiva denominação". É que Vereador gosta muito de, em momentos de eleição, principalmente, mudar as denominações, causando transtornos aos Correios e a empresas, face as notas fiscais, etc. Apenas para exemplificar, a Rua 82, que circula a praça Cívica, chamava-se Roberto Kennedy; a 84, 31 de Março; a 85, (não me lembro o primeiro nome) ....Mascarenhas, etc. Retornei ao nome original mais de 50 ruas, mesmo porque o nome não pega. Teria outros exemplos, mas isso é apenas ilustração. Quanto ao Venerando, que foi meu professor e amigo, é de minha autoria a Lei 8.026, de 30/11/2000, publicada no DOM de 12.12.2000, que denomina Professor Venerando de Freitas Borges o edifício-sede do Paço Municipal. Posteriormente, o Vereador Candido Lustosa, através da Lei 8.222, de 30/12/2003, propôs alteração, e com a minha concordância à época, para Palácio das Campinas Venerando de Freitas Borges. É de minha autoria a Lei 7.872, de 26/03/1999, dando o nome de Praça Goiani Segismundo Roriz à área pública localizada defronte ao edifício principal do Paço Municipal. Assim, o Paço ficou com o nome do primeiro prefeito e a praça em frente, o da primeira criança registrada em Goiânia. O Hino Oficial de Goiânia, também, é Lei de minha autoria, entre outras leis. Nos 22 anos de mandato, preocupei-me com a nossa cidade, sua cul tura e sua gente. Oportunamente falaremos mais, um abraço, Ageu Cavalcante". Querido Ageu, tinha conhecimento de sua Lei de retorno aos nomes de origem(a Avenida 85 era João Mascarenhas). Questiono, porém, se 83 ou 136 são nomes, já que são números. Naquele empenho pelos retornos, o nome Quinta Radial (Setor Pedro Ludovico) desapareceu para dar lugar à extensão da T-63 (nomenclatura exclusiva, antes, do Setor Bueno), alcunha que se espalhou desde a Avenida Circular até o Bairro Anhanguera, no extremo oeste daquela via. Fato igual se deu com a atual T-9, que, por uns tempos, homenageava um desembargador Barros Loyola (acho que Clenon de Barros Loyola). Sou conhecedor de sua trajetória comunitária desde os tempos da COBRAS-GO, a cooperativa que erigiu os conjuntos Alfa e Beta no Setor Marista e o Romildo Amaral na Cidade Jardim. Sei de seu valor inestimável como tribuno e de sua coragem como líder classista e representante público. Enfatizou, mais uma vez, que a minha sugestão restringe-se tão-somente às praças porque estas, em Goiânia, em raríssimas ocorrências, são dadas como endereços. Para estes, ainda que o imóvel ou estabelecimento se situe numa praça, dá-se por endereço a rua lindeira correspondente. Portanto, as praças não interfeririam no referencial costumeiro. Por outro lado, é de bom tom que se respeite a tendência popular - como, por exemplo, Praça do Ratinho, em alusão ao posto de gasolina do saudoso Wilson Vieira, que tinha o apelido (entre amigos) de Ratinho. Mas praças sem nomes são o que mais há em Goiânia. Enalteço, sim, o seu conhecimento e o seu amor à cidade, mas não entendo como você próprio permitiu que escolas ganhassem nomes de pessoas totalmente desvinculadas do meio educacional. A Praça Vereador Boaventura é uma belíssima homenagem a um ícone da cidade, muito mais apropriada do que o nome popular original de Praça do Mercado, concorda? Ruas, pontes, viadutos, praças etc. deveriam, e devem, homenagear os fazedores da História. Não quero que isso aconteça tão cedo, mas acho de suprema justiça que a pracinha limitada pelas ruas João Teixeira e Hermann Komma, no Conjunto Romildo Amaral, venha a se chamar Ageu Cavalcante, em lugar de ser "a pracinha do conjunto". A continuar como está, passaremos à história como a cidade que já teve flores nos jardins (hoje, só temos verde estéril), que já teve ipês nas avenidas (hoje, apenas palmeiras imperiais, para que o titular da pasta específica finja puxar o saco do chefe, plantando mudas que só serão vistas daqui a três décadas, ou seja, nem mesmo o homem da AMMA as verá adultas). Mantenhamos, por questão de praticidade, os nomes das ruas existentes. Mas que a Câmara Municipal e a Secretaria Municipal do Planejamento oriente os projetistas no sentido de homenagear nossos ícones dos esportes, das artes, da política, do meio empresarial, da ciência, da educação etc. no sentido de evitar isso de Rua S-4, Praça da T-25, Avenida R-150 etc. Somos uma cidade, ainda que jovem, e já temos história. Não devemos denominar nossas escolas e vias públicas como Barão de Drummond ou Castro Alves, bem como não devemos ter um montão de homenagens a dois ou três vultos, apenas. E é bom que se encha a cidade com estátuas, bustos, placas e medalhões... A propósito, aquele prédio da Secretaria da Saúde que já foi Osego (Organização de Saúde do Estado de Goiás), vizinho ao Centro de Convenções, em frente à casa onde viveram o Dr. Simão Carneiro de Mendonça e a musicista Belkiss Spenziere C. de Mendonça é, pelo plano original da cidade, uma praça. No governo Mauro Borges, edificou-se ali aquele monstrengo, ante os protestos do médico e de sua mulher artista internacional, sem que o governador se sensibilizasse (naquele tempo, você sabe, prefeito não mandava em nada além da varrição das ruas e da coleta do lixo). Bom seria se demolissem aquele prédio,devolvendo à cidade a praça projetada e erguendo-se, no local, não uma, mas duas estátuas - de Simão e de Belkiss. Fique com o meu abraço, querido Ageu! Luiz de Aquino é escritor e jornalista, membro da Academia Goiana de Letras.. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com |