Luiz de Aquino Alves Neto

Vem Aí A Bienal Do Livro. Bienal?

Pois é. Alguns hão de perguntar, mas os do meio (e os bem-informados) sabem que não houve Bienal do Livro em Goiás há dois anos. E aí, tenho de bancar o chato, redundantemente, com a indefectível pergunta: “Não falei?”. Sim, eu preveni, desde as primeiras reuniões, lá pelos idos de 2003, que não devíamos falar em bienal, pois a experiência já nos ensina, infelizmente, que nem sempre esses compromissos de datas são cumpridos.. A única pessoa que considerou meus argumentos foi Nasr Chaul, o inesquecível e competentíssimo presidente da Agência Goiana de Cultura, a nossa Agepel. Mas, também, por muito pouco tempo. No ano seguinte ele bancava a expressão “bienal”.

Podem ir aos dicionários. Bienal é um evento que ocorre a cada dois anos, lógico. Menos em Goiás. Quando presidente da Caixego (Caixa Econômica do Estado de Goiás, extinta em 1990), no final da década de 1970, Índio Artiaga realizou a Primeira Bienal de Arte. Ninguém fez a segunda.  A bienal do livro também foi uma, em 2005. A de 2007 não aconteceu e não falta quem jogue pedras no Governo. Mas a gente sabe que Alcides Rodrigues tem um carinho muito especial para com a área. Infelizmente... Bem, vou deixar essa análise para outro dia.

Não sou dos escritores que festejam uma bienal do livro. A rigor, esses eventos são ótimos para os livreiros, isto é, para editores, fabricantes e comerciantes de livros. Nós, os escritores, somos lembrados para o banquete, mas não somos o prato principal, nem os adereços. As moças da recepção tornam-se mais importantes que nós.

Somos o louro da feijoada. Lembro-me bem que, na infância, meus primos Inazinha e Colombo infernizavam a mãe por pôr louro no feijão. A mãe, Tia Iná, punha, efetivamente, folhinhas da especiaria, removia-os cuidadosamente após, mas as crianças (hoje, respeitáveis cinquentões) detectavam o sabor. Sabe-se bem que é perfeitamente possível fazer feijoada sem louro.

Livros sem escritores existem aos montes. Vejam aí os de autoajuda, os didáticos, os técnicos e os religiosos. Livros literários são hoje menos de dez por cento numa livraria. Iremos todos à Bienal, é claro! Afinal, o homenageado é Bariani Ortêncio, um dos mais antigos membros da Academia Goiana de Letras (A propósito, a AGL, no dia da abertura da Bienal, 29 de abril, completará 70 anos). Eu próprio irei lá prestigiar o confrade. É que para nós, os nativos, nada virá além das querelas. Os livreiros contam conosco para formar a claque aos escritores famosos, aos sacerdotes que prometem o reino dos céus e aos espertalhões que prometem limpar nossas almas e mentes das nossas angústias.

Enfim, aplaudo o governador Alcides Rodrigues por realizar essa feira. Será, sim, a ocasião para nos confraternizarmos, para o encontro de companheiros que há tempos não se veem. Mas continuo achando que o Governo deve aos escritores um evento que nos valorize. Este, a feira, valoriza os empresários do livro e, por isso, deviam ser realizados por esses empreendedores. A nós nos interessa, sim, a motivação à leitura, as oficinas de análise e construção de textos, de encenação etc.

Vamos conversar, Governador?

Luiz de Aquino é escritor, membro da Academia Goiana de Letras. E-mail: poetaluizdeaquino@gmail.com

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